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ARTIGOS

Miguel Salaberry Filho
Presidente do SECEFERGS e Secretário Nacional de Relações Institucionais da União Geral dos Trabalhadores (UGT)


Idiota é quem chamou!


19/05/2021

O desrespeito do presidente não se restringe às normas de isolamento social

 

Em mais uma declaração infeliz, o presidente Jair Bolsonaro voltou a criticar governadores e prefeitos que defendem lockdown na pandemia. Ele citou os produtores rurais como exemplo de atitude neste período: \"O agro realmente não parou. Tem uns idiotas aí, o \'fique em casa\', que morreriam de fome se o campo tivesse ficado em casa. Daí, ficam reclamando de tudo\". O pronunciamento, feito em 17/05, ocorreu em uma das conversas com apoiadores mantidas pelo Chefe do Executivo na portaria Palácio da Alvorada e repete uma postura sistemática de Bolsonaro contra as normas do isolamento social.

 

A insistência em afrontar as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), assim como de especialistas no tema, tem caracterizado a postura presidente da República em relação ao combate à pandemia do novo coronavírus. Em 23 de abril, por exemplo, o presidente chegou a afirmar que os militares seguiriam as ordens dele de tomar as ruas contra as medidas de isolamento, caso necessário. Para Bolsonaro, as medidas de isolamento social estariam descumprindo a Constituição da República.

 

“Se tivermos problemas, nós temos um plano de como entrar em campo. Eu tenho falado: eu sou o chefe supremo das Forças Armadas. Se precisar , iremos para as ruas, não para manter o povo dentro de casa, mas para restabelecer todo o artigo 5º da Constituição. E se eu decretar, vai ser cumprido esse decreto”, disse.Continua depois da publicidade

 

 

“ACABAR COM ESSA COVARDIA”

 

Crítico, o presidente ainda reafirma: “As forças Armadas podem ir pra rua um dia, sim, dentro das quatro linhas da Constituição, para fazer cumprir o artigo 5º, o direito de ir e vir, e acabar com essa covardia de toque de recolher, direito de trabalho, liberdade religiosa, de culto, para cumprir tudo aquilo que sendo descumprido por parte de alguns governadores, alguns poucos prefeitos, mas que atrapalha toda a nossa sociedade”, criticou.

 

 

Tais declarações são confrontadas com o cenário de 437 mil mortes pela Covid-19 no Brasil, até as primeiras horas de 19/05. No mesmo momento, o mundo registrava a morte de 3,39 milhões de pessoas por causa do novo coronavírus.Continua depois da publicidade

 

 

 

A postura desafiadora do presidente Bolsonaro contrasta com o parecer de grupo técnico ligado ao Ministério da Saúde que desaprova o uso de medicamentos com ineficácia comprovada contra a Covid-19, como cloroquina, hidroxicloroquina, ivermectina e azitromicina, em ambientes hospitalares. Em 14 meses, essa é a primeira vez, em 14 meses de pandemia, que há um posicionamento contrário de um órgão ligado à pasta em relação ao uso dessas drogas.

 

 

REI DA AGLOMERAÇÃO

 

Ao invés de servir de exemplo para o país, como fazem estadistas de todo o mundo, o presidente brasileiro faz questão de desprezar as recomendações de infectologistas, ao provocar aglomerações e contrariar as medidas de isolamento. No dia 15 de maio, em Brasília, o chefe do Executivo foi até o Centro de Tradições Gaúchas (CTG) para almoçar, fora da programação oficial. Na visita, o presidente causou tumulto e, novamente, não utilizou máscara, se misturando às pessoas.Continua depois da publicidade

 

 

Mas o desrespeito do presidente não se restringe às normas de isolamento social. No dia 5 de maio, durante passeio de moto na inauguração de uma passagem que liga os estados de Acre e Rondônia, Bolsonaro cometeu duas infrações gravíssimas, que podem causar a suspensão da CNH (Carteira Nacional de Trânsito) daquele que deveria ser um modelo de comportamento para os cidadãos.

 

Durante o percurso que estava fechado para circulação pública, Bolsonaro pilotou uma motocicleta sem capacete. Na garupa, levou outras duas pessoas: o empresário Luciano Hang, dono da rede de lojas Havan, e o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, também preside o Conselho Nacional de Trânsito (Contran).

 

A VERDADEIRA IDIOTICE

 

 

O atraso no envio de insumos chineses para a produção de vacinas aqui no Brasil não deve ser o único impacto negativo para país após novas críticas feitas pelo presidente Jair Bolsonaro à China. Os comentários agressivos contra os chineses também estão atrapalhando a entrada de investimentos novos para setores como os de energia, transportes e tecnologia, dizem executivos que fazem intermediação dessas transações.

 

Na atualidade, a China é maior parceiro comercial do Brasil, o país que mais compra produtos brasileiros. Os chineses são também um dos principais investidores estrangeiros nos setores de infraestrutura e tecnologia, áreas em que a economia brasileira precisa de capital para se desenvolver, destacam economistas.

 

 

Em depoimento à CPI da Covid, Carlos Murillo, ex-presidente da Pfizer no Brasil, confirmou desinteresse do governo Bolsonaro por vacinas. Ele desmentiu o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, que afirmou ter havido uma oferta da empresa de somente 6 milhões de doses da vacina. Segundo ele, foram ofertadas 70 milhões de doses do imunizante em três oportunidades, ainda em agosto de 2020. A proposta incluía 1,5 milhão de doses ainda em 2020, 3 milhões no primeiro trimestre de 2021 e 14 milhões no segundo.

 

 

O ritmo de vacinação é lento e ainda faltam doses disponíveis. Idiota é quem chamou.




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