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UGT Press 596: Rebaixamento


13/03/2018

STANDARD & POOR’S (S&P): a S&P é uma agência americana de classificação de risco e, em geral, suas notas são usadas para “chancelar investimentos seguros em todo o mundo”. Suas classificações estão longe de ser pacíficas. Por exemplo, o banco Lehman Brothers foi classificado como “A” (seguro) até o dia 15 de setembro de 2008, quando quebrou espetacularmente. Apesar dessa pirotecnia, o Brasil ainda mantém os requisitos básicos para investimentos institucionais. Contudo, é possível que outras agências de risco (Fitch, Moody’s) sigam o exemplo da S&P.

 

EXPLICAÇÃO TUPINIQUIM: governistas de plantão e outros analistas alinhados ao governo de Michel Temer se apressaram a debitar o rebaixamento à falta de aprovação da reforma da Previdência. Ninguém alegou qualquer irresponsabilidade fiscal, seja para congelar as acusações escandalosas de Joesley Batista e das empresas JBS e J&F ou medidas que se direcionaram em favor de deputados e senadores, mas visivelmente contra o interesse público. Esse troca-troca com dinheiro público continua inalterado, incluindo refis, ajudas aos estados e prefeituras e asfixia do BNDES.

 

RESPONSABILIDADE COLETIVA: o economista-chefe do Itaú Unibanco, Mario Mesquita, em entrevista de página inteira (?) na Folha de São Paulo (14-01-2018), ao retirar a responsabilidade de seu chefe, presidente do Banco Central do Brasil, dissolvendo-a na expressão “responsabilidade coletiva”, afirmou que a medida não surpreendeu “dada a dificuldade em aprovar a reforma da Previdência”. Houve visível insistência da entrevistadora e do entrevistado em focar a reforma da Previdência como a principal causa do rebaixamento da nota brasileira, embora no corpo da matéria haja referência ao descumprimento de regras fiscais.

 

TRAPALHADAS: a trapalhada maior do período ficou por conta da nomeação da nova Ministra do Trabalho, Cristiane Brasil, filha do presidente do PTB, Roberto Jefferson (incrível, ele ainda continua presidente do PTB!), impedida de tomar posse em função de liminares judiciais. Aí também um paradoxo: descumprir a legislação trabalhista é crime maior do que ser acusado de corrupção na Lava Jato (há vários ministros em exercício com esse peso nas costas). No caso, a impressão que sobrou foi que a Justiça esteve jogando para a plateia, pois, em outros casos, ela foi bastante tolerante.  Julgamos, como trabalhadores, ser realmente insuportável assistir a posse no Ministério do Trabalho de alguém que sequer respeita os seus próprios empregados.

 

ROLF KUNTZ: o jornalista e articulista de “O Estado de São Paulo”, Rolf Kuntz, publicou algo que lembrou a suposta frase de Charles de Gaulle “sobre a falta de seriedade no Brasil”, onde afirma: “Se os diretores da S&P quisessem publicar uma nota explicativa mais completa e mais clara, leitores de todo o mundo poderiam conhecer as dificuldades do presidente Michel Temer para nomear um ministro do Trabalho. Seriam informações de como nomeações desse tipo entram na compra de votos a favor de reformas importantes para as finanças públicas e, portanto, para a estabilidade fiscal e monetária, o crescimento econômico do Brasil e, em longo prazo para a segurança dos credores do Tesouro Nacional” (Estadão, 14-01-2018). 




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