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UGT Press 585: Bullyng: um tema indigesto


31/10/2017

O QUE É: a Wikipédia informa: “Bulliyng é um anglicismo utilizado para descrever atos de violência física ou psicológica intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo ou grupo de indivíduos, causando dor e angústia e sendo executadas dentro de uma relação desigual de poder”. A definição, quando descamba para uma violência desmedida e ou desproporcional, foi proposta depois do Massacre de Columbine, em 1999 nos Estados Unidos, por Dan Olweus, pesquisador sueco, que utilizou o gerúndio do verbo inglês “to bully” (intimidar, ameaçar, amedrontar, oprimir, assustar, arreliar ou termos similares), definindo atos praticados, na maioria das vezes em escolas. No Brasil (e no mundo todo) a expressão foi adotada pela mídia e o tema voltou a ser discutido com intensidade entre nós, após a tragédia de Goiânia. 

 

ASSÉDIO ESCOLAR: não se deve confundir com o verbo “bulir” da língua portuguesa que, segundo o Dicionário Houaiss é “mexer com, tocar, causar incômodo ou apoquentar, produzir apreensão em, fazer caçoada, zombar e falar sobre”, embora figurativamente seja cabível. No caso de “bulir”, há os vocábulos derivados “bulimento” e “bulidor”, mais usados em crimes sexuais. Porém, tanto “bulir” como “bullying” remetem a uma forma de assédio. Em Goiânia, se de fato existente, uma espécie de “assédio escolar”, todavia um termo pouco utilizado. O próprio professor Olwens define “assédio escolar” em três vertentes: a) o comportamento é agressivo e negativo; b) o comportamento é executado repetidamente; e c) o comportamento ocorre num relacionamento onde há um desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas.” Ele continua e divide o Assédio Escolar em duas categorias: “assédio escolar direto e assédio escolar indireto, também conhecido como agressão social.”

 

FENÔMENO CONHECIDO E ANTIGO: em que pesem os termos estar sendo utilizados há menos de 20 anos, o fenômeno está registrado na literatura e há filmes que o retratam muito bem. Portanto, não é coisa nova. Mas o que exacerba e cria maior constrangimento àqueles que o sofrem é o uso das mídias sociais: “O bullying está muito mais agressivo do que duas décadas atrás, pois envolve também perseguição e segregação digital. Os desaforos não terminam na escola, seguem pelo dia adentro na web. O sinal do fim da aula não interrompe o medo”, disse Fabrício Carpinejar, jornalista e poeta gaúcho. Realmente, não se trata somente do bullying. Na internet há outras manifestações de agressão e intolerância que ultrapassam em muito os limites da educação e do bom senso.

 

CASO POUCO ESCLARECIDO: o “Caso de Goiânia”, como tudo neste país, não está bem esclarecido. De fato, foi uma tragédia e, como tal, não deve existir qualquer precipitação. O tenente-coronel Marcelo Granja explicou que a arma utilizada nos crimes é da corporação e que os pais do menino que atirou são policiais militares. O estranho é ter encerrado o inquérito em tempo recorde, sem ouvir os pais das vítimas. Um dos pais reclamou em rede nacional em função de não ter sido ouvido no inquérito. Certamente, o menor que atirou também é vítima, se não de bullying, de outros problemas. Contudo, esclarecer e buscar as explicações, sejam técnicas, científicas, psicológicas ou sociais, é um dever das autoridades, especialmente quando gente da corporação está envolvida. Seria o caso do Secretário de Segurança Pública do Estado de Goiás determinar a reabertura do inquérito e examinar melhor a questão. Ninguém quer sensacionalismo ou exploração do triste fato, mas o levantamento de informações é necessário do ponto de vista didático, sobretudo para servir como orientação para o futuro. Este pode não ter sido o primeiro caso e, infelizmente, talvez nem seja o último.     




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