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UGT Press 581: O mundo nada saudável do futebol


03/10/2017

GLÓRIA E CORRUPÇÃO: o Brasil dominou tecnicamente a arte do futebol por mais ou menos, meio século. Podemos contar os anos a partir da década de 1950, quando até mesmo o "maracanazo" serviu para comover o mundo, tal a tristeza que se abateu sobre os brasileiros. Já defendemos neste espaço o aproveitamento de nossa arte futebolística fora das quatro linhas que compõem o gramado. Teria servido no mínimo para propagar o país, seja no incremento ao turismo ou no "soft power" das relações internacionais. Somente o ex- presidente Lula, parece, com sua influência de presidente da República, promoveu um jogo importante com essa finalidade: Haiti versus Brasil, o jogo da paz, no dia 18 de agosto de 2004. Não só serviu à paz, como também ajudou o pobre país a se desarmar. O resultado daquele jogo pode ser sentido pela frase do técnico Carlos Alberto Parreira: "Na próxima vez que um de vocês (jornalistas) me perguntarem qual a emoção mais forte que vivi no futebol, direi que foi esta. E olha que vivi muitas". Em decorrência do jogo, naquele ano o Brasil (CBF) ganhou da Fifa o troféu Fair Play, ocasião em que Joseph Blatter, afirmou: "Haiti e Brasil mostraram a todos que o futebol é muito mais que briga pela posse de bola e finalização em gol. Provaram que o jogo pode unir os povos". Apesar daquele momento de glória, os três ex-presidentes (CBF, Fifa e Brasil) estão acusados de corrupção.

 

CONVOCAÇÃO DA SELEÇÃO: todos sabem (e quando dizemos todos, incluímos a imprensa esportiva) que a convocação da seleção brasileira, salvo exceções pontuais em momentos de extrema crise ou necessidade, sempre serviu mais aos negócios dos grandes clubes e seus dirigentes (cartolas) do que efetivamente à excelência do time em campo. Atualmente, inclui-se mais uma figura nessa equação: os agentes dos atletas. Agora, recentemente, o novo técnico pode convocar livremente, mas, classificada a seleção, novamente a convocação voltou a ser suspeita pelos nomes que a compuseram. Claramente, há a existência de alguns atletas sem condições de servir em 2018 (pela idade ou condições técnicas), colocados ali na vitrine internacional para que sejam objetos de interesse dos clubes europeus. Provavelmente, as seleções de 1970 (inicialmente João Saldanha) e de 1982 (Telê Santana) foram convocadas sob absoluto rigor técnico e, talvez por isso, são as duas melhores seleções que o Brasil produziu neste pouco mais de meio século de domínio técnico.

 

VENDA E COMPRA DE JOGADORES: não há manchetes escandalosas, exceto quando o assunto ganha as páginas dos jornais estrangeiros (casos Neymar e CBF, por exemplo). Aí a imprensa local se movimentou e também as autoridades pertinentes, Ministério Público entre elas. Há grandes clubes com suspeitas de negócios, no mínimo, nebulosos. A própria Confederação Brasileira de Futebol (CBF) é suspeita de uma série de negócios sujos, estando sob investigação o atual e os ex-presidentes, um deles preso nos Estados Unidos e outro que não sai do Brasil por puro medo (sabe que, por aqui, ele está a salvo). Outros esportes não ficam de fora dessa desagradável salada podre. Muitas vezes notamos a discrepância entre os valores dos jogadores negociados na Europa ou na América Latina. Saem daqui baratos e logo se valorizam. Será que é isso mesmo ou realmente procedem as suspeitas de dinheiro por fora e caixa dois, como na política? O caso Neymar suscitou dúvidas no Brasil e na Espanha. Há negócios suspeitos também lá fora e a velha UEFA e Michel Platini foram alvo de investigações, este sendo suspenso das atividades por oito anos.

 

RAÍ SOUZA VIEIRA DE OLIVEIRA: Raí foi jogador do São Paulo, do Paris Saint-Germain e da Seleção. É dirigente de duas entidades - Gol de Letra e Atletas pelo Brasil. É na qualidade de presidente desta última que ele concedeu uma entrevista de página inteira ao jornal Folha de São Paulo (24-07-2017). Ali, ele informou estar reunindo mais de 20 grandes patrocinadores privados do futebol com o objetivo de fazê-los investir somente em entidades que adotarem gestão transparente. Explica Raí: "O Brasil e o esporte não estão longe de algo desastroso, que serve como oportunidade para rever tudo. Queremos aproveitar esse fator de oportunidade" (idem, idem).  O interessante na entrevista é que você fica sabendo que Gol, Itaú, Mastercard e Vivo assinaram o compromisso, mas que a CEF (Caixa Econômica Federal) não. Por que será que um banco oficial, pertencente ao povo brasileiro, deixa de assinar um compromisso ético, assumindo estar ao lado da transparência?

 

CRIAÇÃO DE RATING": em inglês, rating significa avaliação ou classificação. A Folha de São Paulo informa: "O Pacto pelo Esporte, grupo de 24 patrocinadores que condicionam recursos ao cumprimento da Lei Pelé, lança em outubro um rating de avaliação de gestão esportiva. Na plataforma on-line, gratuita, federações e clubes poderão fazer um autodiagnóstico com cerca de 400 indicadores. O objetivo é que o resultado ajuda a atacar os pontos fracos. Para ter nota no rating, será preciso chamar um verificador externo. Os primeiros resultados saem em fevereiro, e vão basear decisões de investimento dos patrocinadores do pacto". No país da impunidade e da corrupção não deixa de ser uma boa notícia. Bela jogada Raí!  

 

POLÍCIA FEDERAL: em meados de agosto a Polícia Federal deflagrou uma operação e apontou inúmeras pessoas como suspeita de benefícios ilícitos no Programa Bolsa Atleta. Havia bolsas fantasmas e "laranjas" recebendo dinheiro indevidamente. As "confederações amadoras" também são suspeitas de práticas ilícitas e "o então presidente da CBDA (Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos), Coaracy Nunes, ficou preso por quase três meses, acusado de desvio de dinheiro" (Estadão, 19-08-17). No interior do Estado de São Paulo, na cidade de São José do Rio Preto, vereadores e secretários foram acusados de desviar recursos do programa municipal Auxílio Atleta. Provavelmente, se as autoridades investigarem mais o mundo dos esportes, certamente, acharão outras evidências de má gestão de recursos públicos e privados. Se no país constatam-se problemas diversos envolvendo do clube da esquina aos altos escalões da república, inverte-se o lema e todos são suspeitos até prova em contrário.




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