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UGT Press 575: Soft Power


29/08/2017

SOFT POWER: segundo a Wikipédia, "soft power (em português, poder brando, poder de convencimento ou poder suave) é uma expressão usada na teoria das relações internacionais para descrever a habilidade de um corpo político - um Estado, por exemplo - para influenciar indiretamente o comportamento ou interesses de outros corpos políticos por meios culturais ou ideológicos". O termo foi criado pelo professor Joseph Nye, da Universidade de Harvard. Ele aprofundou o conceito no livro "Soft Power: os meios para o sucesso na política mundial" (disponível em inglês na Livraria Cultura).

 

CONCEITO BÁSICO: "O conceito básico de poder é a capacidade de influenciar os outros para que façam o que você quer. Basicamente, há maneiras de se fazer isto: uma delas é ameaçá-los com porretes; a segunda é recompensá-los com cenouras; e a terceira é atrair os outros, de modo que queiram o que você quer, vai ter que gastar muito menos com cenouras ou porretes". O "soft power", então, é a terceira maneira de influenciar. O termo voltou à tona em função das trapalhadas de Donald Trump. Alguns analistas têm reiterado que os Estados Unidos estão perdendo a sua capacidade de influenciar. O Brasil também, em função de seus problemas, tem perdido toda a capacidade influenciar os seus vizinhos.

 

ESTADOS UNIDOS: em boa reportagem da Folha de São Paulo (20/07), escrita por Daniel Buarque, "Trump erodiu o poder inteligente dos Estados Unidos, diz o autor do conceito". O autor do conceito é exatamente o professor Nye, que trabalhou com Bill Clinton entre 1993 e 2001. Para ele, bastou seis meses de Trump na Casa Branca para que os Estados Unidos, segundo o índice Portland (empresa de consultoria britânica) perdesse duas posições em seu poder de persuasão (soft power), caindo de primeiro para terceiro lugar (agora, o primeiro lugar é da França com o novo presidente Emmanuel Macron e, o segundo, da Inglaterra, com a primeira ministra Theresa May). Segundo Nye, isso afeta tudo: o poder militar (hard power) e o poder inteligente (smart power). "O poder duro funciona melhor quanto tem o poder brando como uma força multiplicadora. Chamo isso de poder inteligente (idem, idem)".

 

BRASIL: o Brasil, tanto com Fernando Henrique Cardoso como com Luiz Inácio Lula da Silva, aumentou o seu poder de persuasão. As políticas interna e externa, embora diferentes, mostraram-se mais independentes e o país pôde até sonhar com um cargo no Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas). Era o "soft power tupiniquim", algo que nos trouxe a Copa do Mundo de Futebol, as Olimpíadas e certa influência na diplomacia mundial. Infelizmente, esse poder foi também erodido pelas seguidas e crescentes trapalhadas, culminando com a nova e deteriorada imagem do Brasil no concerto nas nações democráticas. O país passou a ser visto como irresponsável, gastador, corrupto e possuidor de uma classe política para lá de medíocre.

 

JOSEPH NYE: numa entrevista à revista alemã "Der Spiegel" (19-08-2009), o professor Nye, respondendo sobre as fontes do "soft power", disse: "Ele vem de três fontes principais: uma é a cultura de um país - no caso da América, isso varia de Harvard a Hollywood. Em segundo, os valores políticos podem ser muito atrativos para outros países, da democracia à liberdade de expressão e oportunidade. E a terceira é a legitimidade da política externa de um país - o que significa que se sua política externa for considerada legítima por outros países, você se torna mais persuasivo. O oposto, uma política externa que é vista como ilegítima, como no caso de George W. Bush, destrói o poder dos valores e da cultura". Profundamente verdadeiro.

 

IRRESPONSABILIDADE NACIONAL: o Brasil no plano ecológico, esportivo e cultural tem riquezas ímpares. Basta citar o futebol, onde fomos vitoriosos por mais de 40 anos, mas que foi pouco aproveitado como agente de propaganda. No campo ecológico, florestas, habitats únicos, reservas espetaculares e praias lindíssimas, muita coisa em processo de deterioração e destruição, turismo inexplorado e criminalidade que afugenta a presença de estrangeiros. Culturalmente, temos artes populares de grande apelo, museus e bons locais de visitação. Tudo isso num único país. Mas, novamente infelizmente, a classe política fez desse território um espaço de más práticas e desprezo pelo que é bom e duradouro. Isso poderia ser uma fonte de "soft power"? Claro que sim.




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