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UGT Press 573: Os dois extremos da intolerância


22/08/2017

CHARLOTTESVILLE: a manifestação no Estado da Virgínia, nos Estados Unidos (11 e 12 de agosto), durou dois dias, produziu mortes e foi típica de pessoas ultranacionalistas e racistas. Um carro chegou a ser jogado contra manifestantes críticos aos grupos racistas (uma mulher foi morta e o motorista foi preso). O autor do crime, pasmem, é um jovem de 20 anos. O que destoou, em algo amplamente condenado pela sociedade americana, foi o silêncio cumplice do presidente Donald Trump, só se pronunciando de maneira vigorosa alguns dias depois. Ainda assim, corrigindo-se posteriormente em outra fala, essa na cidade de Nova Iorque, onde condenou os dois lados. A preocupação de Trump está ligada aos seus votos na extrema direita. Depois da Segunda Grande Guerra sempre vigorou uma norma não escrita de condenação das ideias originárias do nazismo. Esses grupos de ultradireita, em sua maioria, são considerados neonazistas.

 

NEONAZISMO: “o neonazismo está associado ao resgate do nazismo, ideologia política propagada por Adolf Hitler, a partir do começo da década de 1920. O movimento neonazista tem suas origens assentadas na intolerância e em preceitos racialistas, primando sempre pela “raça pura ariana” ou pela “superioridade da raça branca” (Wikipédia). A característica principal desses grupos é a discriminação contra minorias e outros grupos específicos, a exemplo de negros, homossexuais, índios e imigrantes. Há também intolerância étnica contra judeus, ciganos e orientais. A perseguição religiosa ou política também é registrada contra islâmicos e comunistas. São em geral grupos minoritários, porém violentos. 

 

ESTADOS UNIDOS: dentro da perspectiva em agir de forma politicamente correta, a Prefeitura de Charlottesville chegou a declarar a marcha dos “supremacistas brancos” como ilegal. Mas, no sábado (12) a situação saiu do controle. É preciso lembrar que o início dos conflitos consistiu na tentativa de retirada da estátua de Robert E. Lee (1807/1870), general do Exército Confederado durante a Guerra Civil Americana, considerado um símbolo do “poder branco sulista”. Donald Trump criticou a retirada das estátuas: “É triste ver a história e a cultura de nosso grande país sendo destruídas pela remoção de nossas belas estátuas e monumentos. Você não pode mudar a história, mas pode aprender com ela” (Estadão, 18/08). Há grupos que defendem a retirada das estátuas, caso da ala antirracista “Black Lives Matter” (as vidas dos negros importam). Numa sociedade que tem historicamente exacerbado o ódio racial, sobram motivos para o exercício da intolerância.

 

BARCELONA: do outro lado do mundo, mas não só, temos outra forma inaceitável de intolerância: o terrorismo. Na última semana, foi a vez de Barcelona, a capital da Catalunha, segunda cidade mais importante da Espanha e uma das mais visitadas do mundo. Barcelona deu um salto em direção ao futuro, modernizando-se nas Olimpíadas de 1992, da qual a cidade se aproveitou como poucas. Em termos de revisita, Barcelona, segundo pesquisas, é a cidade onde os turistas mais querem voltar. Da Praça Catalunha, descendo em direção ao Velho Porto, existe uma via famosa, só para pedestre, conhecida por La Rambla (ou Las Ramblas). São 1,3 quilômetros de extensão e está sempre cheia nesta época do ano (verão europeu). Ali, aconteceu o oitavo ataque com veículos contra pessoas inocentes (antes Nice, Berlim, Estocolmo, Londres por três vezes, Levallois-Perret e, agora, Barcelona). É uma estratégia terrorista que tem se repetido porque surpreendente e fácil de executar. “A luta contra o terrorismo é prioridade central hoje em sociedades livres e abertas como a nossa. O terror é uma ameaça global e a resposta precisa ser global”, disse Mariano Rajoy, primeiro ministro da Espanha (Estadão, 18/08).

 

TERRORISMO ATRAVÉS DOS TEMPOS: se você olhar a dinastia dos Romanov, a família imperial russa, notará que, em 300 anos, seis dos dozes tsares foram assassinados. O assassinato foi moda por séculos. Alguns historiadores afirmam que a Primeira Grande Guerra foi impulsionada pelo assassinato em Sarajevo do Arquiduque do Império Austro-Húngaro, Francisco Ferdinando (muito pouco para o que foi aquela carnificina). Júlio César, 44 anos antes de Cristo, foi assassinado pelos membros do Senado. Juntam-se a eles Lincoln, Kennedy, Gandhi, Luther King e outros. Os assassinatos não saíram de moda, mas estão agora em outra dimensão. Com a influência dos meios de comunicação, as tragédias coletivas assumiram o lugar das mortes individuais. Mais mortes, maior repercussão. A imitação é a arma dos loucos de plantão. Parece não haver antídoto eficiente para este tipo de crime. Aparatos militares e policiais são impotentes diante de um simples suicida, para quem a vida só tem valor se acompanhada de uma missão incompreensível à maioria dos povos.

 

SOLIDARIEDADE: a União Geral dos Trabalhadores, por seu presidente Ricardo Patah, manifestou solidariedade com o povo espanhol, irmanando-se com as centrais de trabalhadores daquele país: UGT, CCOO e USO. Os trabalhadores em seu internacionalismo são uma barreira importante contra o terrorismo.




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