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UGT Press 570: Movimentos modernos: controle ou descontrole


03/08/2017

CONTROLE OU DESCONTROLE: a impressão de controle ou descontrole de movimentos e manifestações, hoje, pode ser construída ou fabricada, seja por forças políticas ou pelos meios de comunicação. No Brasil, a partir do Movimento Passe Livre, já parcialmente enfraquecido, outros movimentos ou manifestação sofrem de infiltrações ou têm seus efeitos maximizados ou minimizados pela "mídia mainstream". Não faltam exemplos de grupos não identificados ou de acontecimentos estranhos em manifestações, principalmente as originárias dos movimentos populares ou dos trabalhadores organizados. Até hoje, não identificaram (ou não quiseram divulgar a identidade) dos "black bloc" locais (veja nota abaixo). Nas últimas manifestações dos trabalhadores organizados, as lideranças, sabendo dos perigos de infiltrações indesejadas, recomendaram o máximo de cuidado. Inútil. Houve quebra-quebra e algumas filmagens independentes identificaram a ação de grupos estranhos ao movimento  sindical. A "mídia mainstream" mostrou à sociedade brasileira que os problemas foram causados pelos trabalhadores. O pior é que a maioria acredita nessa versão.

 

BLACK BLOC: do inglês black, preto, e bloc, grupo ou agrupamento, segundo a Wikipédia é "o nome dado a uma tática de ação direta, de corte anarquista, empreendida por grupos de afinidade que se reúnem mascarados e vestidos de preto". Promovem ações e desafiam a ordem pública. No Brasil, estiveram bastante longe de sua origem na Alemanha dos anos 1980. Aqui, não foram raros os momentos em que agiram como vândalos, sem reação das autoridades constituídas, dando o que pensar. Mascarados (e não mascarados) continuam agindo em manifestações. O que foi divulgado pela "mídia mainstream" é bastante conhecido, debitando às organizações de trabalhadores ou movimentos sociais toda a responsabilidade pelos exageros e desvios de finalidade das manifestações. Para o grande público, sujeito à vontade de editores comprometidos com o sistema ou passivo em seu sofá doméstico, recebendo notícias filtradas por interesses, a situação é de descontrole e, como tal, necessita de enquadramentos rigorosos, incluindo a desmobilização autoritária dos movimentos ou a redução de seu poder, através de legislações oportunistas.

 

MÍDIAS MAINSTREAM: a forma de uso do termo "mainstream" é nova. A primeira tradução de "mainstream" na Wikipédia é "corrente dominante". Em livre associação ou tradução, podemos chegar facilmente à "mídia dominante" ou "mídia hegemônica". No caso das publicações impressas, aquelas que têm maior público ou, no caso da televisão e rádio, as que têm maior visualização ou ouvintes. Justin Wedes, um dos membros fundadores do movimento social "Occupy Wall Street", disse em artigo para a FES-Brasil (Fundação Friederich Ebert), que "mídias mainstream referem-se às empresas de mídia organizadas conforme o princípio de maximização de lucro dos grandes grupos".

 

ESCOLHA DAS LIDERANÇAS: em movimentos horizontais, com rotação de interlocutores, que defendem ou praticam administração livre, autonomia e democracia direta, a imprensa (“mídia mainstream") assume a tarefa de identificar os líderes. O mesmo Justin Wedes explica que a mídia "tomou por conta própria a liberdade de escolher os porta vozes do movimento (referindo-se ao Ocuppy Wall Street). Muitas vezes, essa escolha correspondia às relações de poder existente: os repórteres falaram com pessoas que eram os seus semelhantes (em sua maioria brancos), que pareciam saber se impor (especialmente homens, bem formados) ou que já tinham uma certa notoriedade, como celebridades ou agentes públicos eleitos".

 

DIDÁTICO: Justin Wedes afirma que o "Occupy Wall Street" é uma excelente peça didática sobre o que pode levar a democracia de base fracassar". Podemos transportar essa ideia, por exemplo, para o então "Movimento Passe Livre", aquele que eclodiu espontaneamente no primeiro governo de Dilma Rousseff. Foi muito importante naquele momento e fez o governo praticar todo um malabarismo de promessas jamais cumpridas, a principal delas a Reforma Política. Apropriado ou descaracterizado, o movimento ainda existe, mas longe da importância que teve outrora. Nem vamos analisar todas as vertentes daquele processo, com infiltrações e acontecimentos sem qualquer explicação. Talvez, o esforço de identificação que fez a "mídia mainstream" para achar os responsáveis por aquele fenômeno, fê-la recair exatamente no "Movimento Passe Livre", sem que este fosse na verdade o catalisador daquele fenômeno de explosão nas ruas brasileiras. 

 

BRASIL, TURQUIA E ESTADOS UNIDOS: nesses três países eclodiram muitos movimentos e foram feitas várias manifestações. Na Turquia, 2003, um simples protesto ambiental no Parque Taskin Gezi (Taksin) ampliou-se e chamou a atenção do mundo. Lá também há tradição de movimentos militares. Todos foram suprimidos por Erdogan que, no último Primeiro de Maio, sufocou as manifestações dos trabalhadores, naquilo que se caracterizou como um "Estado de Medo". Nos Estados Unidos, realmente o movimento mais importante foi o "Occupy Wall Street",  iniciado em 2011, quando espontaneamente irromperam protestos contra a "desigualdade econômica e social, ganância e corrupção, sobretudo no setor financeiro". No Brasil, além das manifestações ocorridas no primeiro governo de Dilma Rousseff, há uma tradição de "bater panelas ou sair às ruas". O "Movimento Passe Livre", erguido em sua importância, talvez seja insuficiente para explicar todos os movimentos que derivaram dali. O ponto comum desses três países é a situação de desconforto e irregularidade, apesar de serem considerados democracias modernas. Os poderes especiais de Erdogan e seu desrespeito pela liberdade, o comportamento do presidente Trump, no mínimo extravagante, e o ambiente de impunidade no Brasil, com um presidente denunciado e sem legitimidade, trazem à tona o "momento de inflexão", expressão que registra essa época de espanto e tragédia, quando os valores tradicionais são abandonados  




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