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UGT Press 568: Intransigentes e intolerantes versus condescendentes e benevolentes


18/07/2017

QUADRO CULTURAL: inspirado no artigo de Luiz Hanns, “Complacentes contra intolerantes, quem vencerá” (Estadão, 03/06), UGTpress se dispôs a um exercício aleatório, sem profundidade ou direção. Concordamos que a sociedade brasileira, dividida desde suas raízes mais básicas, está exercendo todo tipo de comportamento, sem uma orientação única ou uma tendência majoritária. A melhor das caracterizações de nosso espectro político foi aquela que afirmou: “todo brasileiro tem o seu bandido preferido”. Na verdade, nestes tempos bicudos, o brasileiro passou a ser torcedor de pessoas sem qualificação. A primeira divisão séria entre esquerda e direita foram as últimas eleições presidenciais, nas quais de um lado pontificou a situação (ou continuidade, se preferirem) contra a oposição. Depois disso, os acontecimentos mostraram que todos são iguais no comportamento, embora o matiz de esquerda e direita seja bem definido e, dentro dessa premissa (esquerda e direita) se postaram os torcedores de uns e de outros. Exemplo: a turma pró-impeachment, majoritariamente classe média e alta, que foi às ruas na companhia de Aécio Neves, embora frustrada, não se cansa de continuar com a mesma ladainha pré-eleitoral. O outro lado continuísta, na maioria oriunda dos extratos mais pobres ou socialmente vulneráveis, liderado por organizações sociais, segue no discurso do golpismo. É só um exemplo e não estamos (ainda) emitindo juízo de valor. São esses “torcedores” que se colocam num ou noutro lado do espectro político. Eles estão muito presentes nas redes sociais.

 

INUTILIDADE DO DISCURSO: ambos os discursos são absolutamente inúteis à medida que não resolvem o problema central: o exercício da política sendo dominado por uma maioria corrupta, cuja desfaçatez superou todos os parâmetros de bom senso. Neste momento, os vitoriosos (aqueles que puxaram o impeachment e colocaram Michel Temer no governo), estando provado à exaustão que são igualmente danosos ao país, se utilizam da necessidade das reformas” como álibi para a sua própria continuidade no poder. O centro político dominante do país, eixo das decisões congressuais, é exercido por uma maioria aética, cujo objetivo é salvar-se a si mesma e dar um jeito de barrar as investigações em curso nos organismos institucionais, próprios do Estado de Direito. Não será surpresa se esse grupo, majoritário até onde a vista alcança, lançar mão de uma anistia legal. Essa anistia pode também ser consensual. Parece que a anistia consensual já está em andamento nos poderes da República. Isso, contudo, não é pacífico e nem certo. Há muita água ainda para passar debaixo da ponte. Ambos os discursos, repetimos, são inúteis porque estão longe de dar solução na divisão política ou nos problemas brasileiros mais urgentes.

 

A FALÁCIA DAS REFORMAS: não é segredo para ninguém que o país necessita de reformas e elas vêm sendo adiadas desde o período de democratização. Mas, dizer que duas reforminhas vão ser suficientes para a retomada da economia ou para a solução mágica dos problemas nacionais, é ser muito ingênuo ou mal-intencionado. Ingênuo quem acredita ou mal-intencionado aquele que propala a solução mágica. Sabe-se que para o Brasil alçar-se como nação civilizada será necessária a mudança dos hábitos administrativos, com introdução da seriedade e da parcimônia nas contas públicas. Nenhum governo gastou mais do que o atual para consolidar apoios: prorrogou dívidas, distribuiu dinheiro a rodo e fez uma farra inédita com os recursos públicos. Isso, claro, vai contra os comezinhos manuais de economia, o primeiro deles é não gastar mais do que se arrecada. As duas reformas propostas (com coisas boas e ruins em ambas) deveriam ser mais bem discutidas e realmente servirem para a solução do problema ou para a modernização das relações sociais. Estão a léguas de distância dos seus principais objetivos. Servem apenas como motivo para protelar a vigência do atual governo.

 

COMPLACÊNCIA: a complacência bovina da sociedade brasileira frente a todos esses acontecimentos está visível. O psicólogo Luiz Hanns começa o seu artigo assim: “Os charmosos complacentes sempre estiveram por toda a parte, do Oiapoque ao Chuí, na administração pública e privada, infiltrados entre os corruptos e os honestos, na esquerda e na direita. São nosso Bem e nosso Mal”.  Acreditamos que se trata de um grande mal. Essa sociedade tolerante, transigente, condescendente ou benevolente faz muito mal ao país. Não é capaz de exigir transparência no uso dos recursos públicos, não é capaz de exigir a punição dos criminosos de colarinho branco, não é capaz de deixar de votar em gente reconhecidamente perniciosa e não é capaz de combater com eficiência os males da República. Mas, é capaz de se comportar de forma complacente diante das mais absurdas práticas políticas. É certo que os intolerantes e intransigentes vão perder.   




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