UGT UGT

Filiado à:


Filiado Filiado 2
Home | UGT Press | UGT Press 567: Utopias e distopias
Home | UGT Press | UGT Press 567: Utopias e distopias

UGT Press

UGT Press 567: Utopias e distopias


13/07/2017

UTOPIAS FABRICADAS: o Brasil é um país exímio em produzir fatos enganosos, em geral para fazer valer a máxima do personagem de "O Leopardo", de Giuseppe Tomasi di Lampedusa, o astuto Tancredi, que diz, mais ou menos: "é preciso mudar para que tudo continue como está". É só olhar a história e ver que os fatos foram dados como solução de nossos problemas. Começaram com a Abolição, passaram pela República, quando os problemas só foram agravados e teve início a dilapidação do patrimônio público e sua constante transferência para a elite dominante. Passamos pelas utopias das ditaduras e das democratizações, do parlamentarismo e do presidencialismo.  Podem ser consideradas utopias menores a Marcha para o Oeste e as Constituintes. Outras utopias momentâneas podem ser incluídas, como os impeachments de Fernando Collor e Dilma Rousseff. Na economia também passamos por momentos de êxtase fabricado, seja no Plano Cruzado ou no Plano Real, este fez um presidente e ele criou o nefasto instituto da reeleição. Enfim, vivemos de ilusões passageiras, breves utopias para usos diversos, mas todas para manter o mesmo padrão de comportamento das instituições e de seus notórios membros. Nada mudou.

 

DISTOPIAS: a Wikipédia explica: "Distopia ou antiutopia é o pensamento, a filosofia ou o processo discursivo baseado numa ficção cujo valor representa a antítese da utopia ou promove a vivência em uma "utopia negativa". As distopias são geralmente caracterizadas pelo totalitarismo, autoritarismo, por opressivo controle da sociedade. Nelas "caem as cortinas", e a sociedade mostra-se corruptível; as normas criadas para o bem comum mostram-se flexíveis. A tecnologia é usada como ferramenta de controle, seja do Estado, seja das instituições ou mesmo corporações". Parece o retrato do Brasil atual. Marcelo Rubens Paiva, em artigo brilhante no Estadão, "Genealogia da distopia brasileira" (03/06), afirmou: "Podíamos ser uma Austrália, sonho brizolista, ou uma Coreia do Sul, sonho do BNDES com a política das Campeãs Nacionais. Viramos um país sem leme, com quase nenhum político confiável, numa democracia comandada por partidos que seguem o organograma do crime organizado. A esperança comprou com caixa 2 o medo. As delações e os vazamentos trouxeram horror. Ninguém vê uma saída. Denegriram um projeto de Nação. Qualquer coisa é melhor do que o que temos. Errou Tiririca, palhaço eleito deputado federal em 2010, com votação recorde: "Vote em Tiririca. Pior do que tá não fica". Ficou."

 

LEMBRANDO NICOLAU MAQUIAVEL: Niccolò de Bernardo dei Machiavelli (1469/1527), foi um pouco de tudo: poeta, diplomata, historiador e músico. É considerado, ao escrever sobre o Estado e o governo, fundador da ciência política moderna. Embora mal interpretado historicamente, ele ficou mais conhecido pelo livro "O Príncipe" (1513), publicado postumamente. O maquiavelismo, em geral um adjetivo negativo, tem sido aplicado de forma abundante e, segundo pesquisas recentes, talvez de maneira equivocada. Dizem que Fernando Henrique Cardoso tinha o livro sempre por perto. "Assim, se, por um lado, ser maquiavélico se relaciona à esperteza, astúcia, a aleivosia e a maldade, por outro, de uma maneira mais ampla, os ensinados de Maquiavel constituem uma lição para políticos no que diz respeito à arte de se manter no poder" (Revista Bula). Se os políticos brasileiros conhecem  a obra de Maquiavel (poucos, certamente), sem dúvida, aplicam-na no pior sentido.

 

SEM SOLUÇÃO À VISTA: a dramática situação política brasileira talvez tenha chegado ao auge da distopia. Marcelo Rubens Paiva tem razão. Pior está ficando. Mas, pior ainda, é não haver saída à vista. Ninguém fala em reforma política porque querem manter o sistema, onde vão permanecer como sócios do Estado. Para permanecer igual, sem reformas de fundo na organização do Estado Brasileiro, o jeito é esse mesmo: nada fazer, substituir presidentes se for preciso, adotar perfumarias inconsequentes para dar a impressão de estar fazendo alguma coisa, mas, no fundo, o objetivo é sempre a continuidade do que aí está. E o que está acontecendo no Brasil todos sabem. 

 

FORA DILMA E FORA TEMER: as utopias e distopias já não atendem e nem animam a direita que assaltou o poder. Elas querem mais. São insuficientes para que os grandes empresários do Brasil e de fora atinjam o objetivo de desmontar nosso precário Estado de Justiça Social. Então, pelo que se nota, não é impossível a substituição de Michel Temer, cuja decadência acelerada está incomodando grande parte dos partidos políticos, deputados e senadores. Após grandes debates, foi aprovada a Reforma Trabalhista no Senado Federal, tal qual veio da Câmara Federal. Mas, o presidente de plantão Michel Temer fez alguns acordos e prometeu Medida Provisória (MP) corrigindo alguns pontos da Reforma Trabalhista. Já ontem cedo, os jornais publicaram manchetes informando a posição de Rodrigo Maia, escancaradamente candidato a Presidente da República, dizendo que "engavetará" a MP: "Não participamos de nenhum acordo. Queremos reformar o Brasil. Chega de mentiras" (Folha de São Paulo).

 

NOVO PARTIDO: Brasília é uma usina de boatos. Informa-se também que o DEM, um partido hoje pequeno, está articulando uma grande fusão de partidos, o que o colocaria com mais representatividade do que o PMDB, a rigor o partido de Michel Temer. Isso é planejado para a futura sustentação de Rodrigo Maia, em função do seu "crescimento". Tudo isso, na hipótese de progredir a denúncia contra Michel Temer e ele ser afastado da presidência, provando então do mesmo veneno que ofereceu à então presidente Dilma Enfim, Lampedusa, onde estiver, cultiva o sorriso dos vitoriosos, daqueles que escreveram algo para a posteridade..  

 




logo

UGT - União Geral dos Trabalhadores


Rua Formosa, 367 - 4º andar - Centro - São Paulo/SP - 01049-911 - Tel.: (11) 2111-7300
© 2021 Todos os direitos reservados.