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UGT Press 561: Sócios do Estado


25/05/2017

PERNÓSTICO: palavra em desuso, diz-se do sujeito petulante, presumido, afetado e presunçoso. Você pode procurar uma palavra que  explique o tremendo (inacreditável mesmo!) desinteresse das autoridades pelos graves acontecimentos da Nação e não encontrará. As qualidades ou maneiras de um pernóstico talvez se aproximem das características predominantes desses “nossos representantes” lotados nos escalões e poderes da República, mas é um termo insuficiente. Limitado para expressar a natureza de pessoas e instituições desprezíveis e sem pudor. Como rotular aqueles que não acreditam na Lei, que não ligam e nem se preocupam com eventuais consequências jurídicas ou penais de seus atos, que sabem que as instituições são insuficientes para alcançá-los? Como classificar a obstinação daqueles que se apegam aos cargos sem as mínimas condições morais para exercê-los? Será por que sabem que seus pares são pares por que iguais? Como classificar os meios e as instituições, empenhados em desclassificar fatos horrorosos, à vista escancaradamente verossímeis, como se fossem simples ou corriqueiros? Estamos vivenciando uma estarrecedora falta de compostura e algo inexplicável aos olhos das futuras gerações de brasileiros. Como explicar essa avalanche de acontecimentos sem que sejamos capazes de solucionar, por via política ou legal, esse imbróglio despejado sobre as nossas cabeças?

 

AS INSTITUIÇÕES FUNCIONAM? É comum ouvirmos “as nossas instituições funcionam, não somos um Haiti ou uma Venezuela”. Deem-nos a chance da dúvida. Desde quando estamos assistindo a esse vai e vem de escândalos, recheados por delações premiadas, mostrando movimentação de recursos que escapam à nossa imaginação? Desde sempre e em vários governos. Acusados são premiados com “habeas corpus”, esposas são singelamente soltas para cuidar de seus filhinhos desprotegidos, pessoas acusadas assumem cargos importantes, há foro privilegiado e há impunidade generalizada. Registrem-se as exceções do caso “Lava Jato”, porém insuficientes para a solução dos problemas brasileiros mais relevantes. As penas, pequenas e precárias, estão sujeitas a logo perderem o efeito. Já já todos os criminosos estarão nas ruas, sendo candidatos e, pasmem, reeleitos, tal o sistema vigente, protetor das elites e do poder econômico. Não há perspectivas de solução a médio ou curto prazo. Não poderemos “passar o país a limpo”. Então, é de se perguntar: nossas instituições realmente funcionam?

 

DEMOCRACIA PARTIDÁRIA ESGOTADA: nosso sistema político está podre, corrompido e morto. Podre porque facilitador das mais estouvadas práticas, corrompido porque desgraçadamente apropriado por elites predadoras (estão aí desde o Descobrimento) e morto porque não oferece qualquer alternativa de futuro. Os partidos políticos alimentam esse sistema sem saída e sem rumo. Neles, estão a maioria de nossos ministros, diretores de estatais, fundações e órgãos públicos. Poucos se salvam. Do vereador ao presidente não há mais em quem confiar. Há que ser reinventado um sistema que substitua esses partidos de aluguel. Sejam pequenos ou grandes, os partidos são um poço malcheiroso, onde habitam as almas mais pecadoras deste país. Eles não são políticos, são sócios do Estado, do qual vivem de forma inescrupulosa. Nossos políticos são impostores. Saqueiam e roubam à luz do dia, à nossa frente e com a nossa bovina conivência.

 

BOVINA PASSIVIDADE: somos exímios e criativos cidadãos nas redes sociais. Fazemos piadas de nossas desgraças políticas. Nos Whatsapp proliferam as mais engraçadas charges e chistes. A desgraça da Nação é um divertimento para a maioria, menos para os que trabalham duramente de sol a sol ou que passam horas em corredores de hospitais. Ali, nas redes sociais, exercemos as nossas “virtudes democráticas” e falamos de tudo e de todos. Mas, somos incapazes e sempre estamos exibindo a nossa bovina passividade. Que tal sairmos à rua? À rua saem os interessados: a classe média e alta para pedir o impeachment; as centrais sindicais para a defesa da legislação trabalhista (ainda bem que existem os sindicatos); os estudantes para reclamarem do preço das passagens de ônibus; os torcedores para criticarem seus times de futebol. Todos saem, vez ou outra, movidos por interesses específicos. Onde estão as velhas manifestações com a cara do Brasil, que exibiam um só rosto de indignação? Nem mesmo os nossos velhos estão animados para irem à rua defender a Previdência Social. Diante dessa realidade perversa, claro, os nossos políticos se enchem de coragem para se desligarem das vertentes populares. Nem sequer se dão mais ao trabalho de disfarçar. São caras de pau à frente de câmaras e microfones, com falas e imagens que soam a mistificações.

 

DEMOCÍDIO: o número anterior de UGTpress mostrou um novo termo, com vários e semelhantes significados. Sem distorcê-lo, podemos dizer que o Brasil vive seu “democídio” particular. Nossa democracia serve para não resolver problemas e perpetuar no poder a elite predadora, responsável pelas mortes deliberadas (nos hospitais e nas ruas), pela falta de serviços básicos (educação, principalmente) e pelo não funcionamento das instituições (impunidade generalizada). O que fazer, quando não há saída ou quando a saída é a continuidade dos piores? Estamos sem rumo e sem futuro. 

 

SOLUÇÕES SIMPLES: reforma política imediata, com a adoção do voto distrital ou distrital misto; fim da reeleição; adoção de medidas mais rigorosas para o combate à corrupção; prisão e fim dos direitos políticos daqueles que foram denunciados nos esquemas de corrupção; reforma do Judiciário com prazos rigorosos para o fim dos processos; reforma do Legislativo, com celeridade em seu funcionamento; equiparação dos servidores públicos, civis e militares, com os trabalhadores da iniciativa privada; fim dos privilégios em todos os setores e áreas; prisão para os sonegadores e fraudadores da Previdência Social; diminuição do poder do Senado da República, transformando-o em Câmara Revisora; outras medidas de caráter moralizante e saneador. Urgente! Nenhum governo até agora se dignou fazer o mínimo em função do futuro imediato. Sem reformas na área política, judiciária e legislativa, os bandidos continuarão mandando no país. 

 

 




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