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ARTIGOS

Enilson Simões de Moura
Vice-presidente da União Geral dos Trabalhadores


Uma campanha pela ciência


18/02/2021

Foi lançada oficialmente hoje a Campanha da Fraternidade Ecumênica 2021 com o tema: “Fraternidade e Diálogo: Compromisso de amor” e o lema: “Cristo é a nossa Paz: do que era dividido, fez uma unidade”. A Igreja busca, com esse tema, vencer a polarização que existe hoje no Brasil e que chegou até ao novo coronavírus em forma de negacionismo assassino e obscurantista.

 

Hoje também, dia 17 de fevereiro, faz 421 anos que Giordano Bruno foi queimado na fogueira pela Santa Inquisição da Igreja Católica. Dizia, entre outras coisas, que a Terra não era o centro do universo, que além de Saturno – até então o último planeta conhecido do sistema solar -, existiam outros, que o universo era muito maior do que se supunha e que existiriam outras formas de vida inteligente pelo espaço a fora. Bruno estava certo em praticamente todas suas conclusões. 

 

O tempo passou e a Igreja, a Campanha da Fraternidade bem o demonstra, superou as crendices, se aproximou da ciência e hoje convive com ela de maneira harmoniosa, ainda que alguns setores insistam no conservadorismo retrógado e ordenem aos seus padres que boicotem a Campanha deste ano.  

 

Sustentam, os bispos católicos, que o objetivo não é impor o pensamento único, mas demonstrar que, entre diferenças, pode haver diálogo. 

 

Vivemos um momento absurdo em nossa democracia. Militares que saíram dos quartéis para se chafurdarem em cerveja, bacalhau, leite condensado e outras polpudas “iguarias”, desafiam o Supremo Tribunal Federal e são seguidos por deputados inexpressivos cuja única ação que os fazem aparecer é justamente o bizarro, o surreal, o desprezível.

 

Brasileiros morrem por falta de leito hospitalar no mesmo momento em que eles sobram nos hospitais militares. O Ministro da Saúde, supostamente especialista em logística, demonstra inaptidão para resolver problemas simples, como comprar oxigênio e vacinas. Poderia ter comprado lá atrás e nós nos renderíamos à sua logística. Preferiu o obscurantismo, o negacionismo, preferiu simplesmente agradar seu chefe para quem o vírus nunca passou de uma “gripezinha”, de uma “coisa de maricas”. Puro peleguismo de capachão.

 

A Campanha da Fraternidade deste ano merece aplausos. Fica claro que, negar a ciência, negar as vacinas, são incongruentes com o catolicismo de hoje. A Igreja que condenou Giordano Bruno não existe mais. No seu lugar entraram os bolsonaristas, os extremistas e os fundamentalistas que preferem acreditar nas fake news que exaltam a cloroquina e os feijões mágicos da seita do Valdomiro.

 

Não há tempo a perder. O número de mortos só faz aumentar. Enquanto o mundo inteiro vê o recuo da pandemia, no Brasil os números projetam um amargo fevereiro e dias tristes para março e abril. 

 

A Igreja Católica acerta na mosca ao exaltar a ciência e o diálogo. Resta saber se há, entre os terraplanistas, quem queira dialogar.

 

Enilson Simões de Moura – Alemão

Vice Presidente Nacional da União Geral dos Trabalhadores - UGT




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