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UGT Press 590: Mídias sob pressão


28/11/2017

ANTAGONISMO: a liberdade de imprensa, seja por exageros próprios de seu exercício ou pela oposição de outros poderes, sempre foi ocasionalmente contestada. Especialista no assunto, o professor Steve Coll esteve no Brasil para participar do I Seminário Internacional “Novos Tempos do Jornalismo”, promovido pela ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing) e a Columbia Journalism School (Universidade Columbia de Nova Iorque), em 09-10-2017. Antes, concedeu entrevista à Folha de São Paulo (29-09-2017), na qual afirmou: “Em toda a minha vida, nunca vi uma época com tantos ataques ao jornalismo profissional, nem na época do Watergate ou dos anos 1960 nos EUA. Esses ataques são mais raivosos por causa das campanhas populistas de intimidação nos espaços digitais, além da poluição do ecossistema do jornalismo com notícias falsas fabricadas e propaganda digital – sem mencionar os ataques do presidente Trump e seus aliados. Espero que isso seja cíclico, que seja temporário o populismo que estamos vivendo neste país e o nacionalismo autoritário ao redor do mundo. Mas podemos estar diante de um período de trevas mais longo”.

 

OPINIÃO DESPREZADA: em geral, são desprezadas as opiniões e estudos que mostram Donald Trump como um fenômeno de mídia. Se ele foi eleito presidente dos Estados Unidos, foi porque a imprensa americana sempre o tratou como celebridade, mesmo em casos que envolviam sua vida privada. Durante a campanha, todos vimos e não esquecemos porque o episódio é recente, as palhaçadas de Trump foram veiculadas à exaustão. Ele acabou por se tornar a alternativa contra o sistema, representado pelo Partido Democrata e Hillary Clinton. “Parece-me que culpar Donald Trump pelo antagonismo ao jornalismo é um diversionismo. Há problemas sim, especialmente pelo aparecimento das novas mídias. Mas, é também preciso analisar que os meios de comunicação se tornaram grandes conglomerados econômicos, influenciando em favor dos partidos de direita, não raro apoiando governos e ficando longe das demandas populares”. A afirmação é do vice-presidente da União Geral dos Trabalhadores, Laerte Teixeira da Costa.

 

NOTÍCIAS LIXO: a Universidade de Oxford (Reino Unido) fez uma pesquisa e constatou: “o volume de informações de baixa qualidade no Titter – grande parte distribuída por ‘bots’ (robôs) e ‘trolls’ (humanos, às vezes com contas ‘fake’) trabalhando em benefício de atores políticos invisíveis – foi extremamente alto nos EUA, disseram os pesquisadores. Eles descobriram que reportagens falsas, enganosas e tendenciosas foram compartilhadas no Twitter pelo menos com a mesma frequência que as notícias divulgadas por organizações profissionais”. Excerto extraído do artigo de Craig Timberg, do Washington Post, republicado pela Folha de São Paulo, em 29/09/2017. Se isso aconteceu nos Estados Unidos, imaginemos na periferia do planeta. No Brasil, as notícias falsas nas redes sociais são abundantes, tanto quanto ofensas e comentários que, na imprensa comum, suscitaria processos judiciais.

 

JAIR BOLSONARO: a última pergunta da Folha de São Paulo ao professor Steve Coll precisa de transcrição literal e completa. Pergunta: “Haverá eleições presidenciais no Brasil em 2018 e um dos prováveis candidatos é um populista de direita que usa muito as redes sociais, Jair Bolsonaro. Que conselho você daria aos jornalistas brasileiros?” Resposta: “Os jornalistas americanos mudaram a metodologia de fazer matérias baseadas em declarações públicas por causa de Trump. Eles passaram a apontar declarações falsas em tempo real. Por exemplo, quando o presidente falou em 3 milhões de eleitores ilegais, uma declaração para a qual não há nenhuma prova, isso foi apontado na hora. Integrar a checagem de fatos na apuração de notícias em tempo real é essencial ao cobrir populistas como Trump.” A imprensa brasileira fará isso? Sem comentários.

 

PERTINÊNCIA: a pergunta da Folha de São Paulo foi muito pertinente e atual, contudo não abarcou a totalidade do problema. Também a esquerda se utiliza das redes sociais e, em geral, com a mesma virulência. Este é um fenômeno moderno, cuja influência ainda não foi mensurada com exatidão, nem tampouco regulado satisfatoriamente. A liberdade de imprensa é realmente um bem e um direito, mas no Brasil e em outros países necessita de regulamentação. Este é um problema explosivo e, normalmente, é a grande imprensa que se arvora contra qualquer regulamentação de mídia. Estamos longe de um consenso.




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