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SINAL IMPRECISO: "Em Frankfurt, Salman Rushdie fala sobre um maluco na Casa Branca", é o lide (texto breve e jornalístico que apresenta resumidamente os assuntos ou destaca o mais importante numa matéria) da reportagem de capa do Caderno2 do Estadão, de 13/10/2017. Não é bem assim. Lendo o texto, não há nenhuma referência a qualquer maluco, embora as opiniões de Rushdie sobre Trump não sejam as melhores. Contudo, essa percepção revela muito e sintetiza o que pensam várias parcelas da opinião pública mundial (se é que isso existe) sobre o presidente americano. Ao final da boa matéria, cuja intenção era anunciar o novo livro de Rushdie - Golden House, ainda sem tradução no Brasil - surge, entre outras, a frase mais pertinente a Trump: "Ele é mestre em quebrar pactos, alianças, acordos. Cumpre as promessas de campanha. Trump estacionou na esquina da História" (idem, idem).

 

UNESCO: a frase de Rushdie que fechou a matéria foi pronunciada no contexto da retirada dos Estados Unidos da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Ciência e a Cultura). A decisão de Trump está baseada na atuação do órgão sobre o qual ele diz ser contra Israel e pró Palestina. É um duro golpe na instituição e representa a redução de quase 1/4 (um quarto) de seu orçamento. A Unesco foi criada pelos próprios Estados Unidos para patrocinar a democracia, os direitos humanos e a educação. Não é a primeira vez que os Estados Unidos saem da Unesco. Em 1984, Ronald Reagan fez o mesmo. É interessante anotar que na Unesco as discussões são decididas por maioria simples e nela não há poder de veto, como, por exemplo, no Conselho de Segurança. Esse seu funcionamento possibilitou, em 2011, reconhecer a Palestina como membro, o que provocou forte reação do democrata Barack Obama, que não pagou as contribuições devidas à Unesco. Enfim, na Unesco o clima político sempre foi de tensão e confronto. A decisão de Trump não pode ser vista como inédita. 

 

ACORDO COM O IRÃ: saudado como um passo positivo rumo à distensão, o acordo dos Estados Unidos com o Irã sobre programas nucleares, vê-se agora contestado pelo presidente Trump, que prepara propositalmente o seu esvaziamento. Na verdade, mais uma vez, ao que parece, Trump persegue obstinadamente o cumprimento de suas promessas eleitorais. Desde a campanha, ele vem criticando o acordo, afirmando que é "o pior acordo já aprovado pelos Estados Unidos". Essa opinião não é compartilhada pelos especialistas e, pelo menos um deles, o cientista Ernest J. Moniz, copresidente da Iniciativa pelo Tratado Nuclear, afirma que, contrariamente ao que se pensava em 2015, são os Estados Unidos que não estão cumprindo a sua parte no Pacto. Diz o cientista Monitz: "Quando começamos a discutir o pacto, o Irã estava a pouco meses de produzir uma arma nuclear e, se a diplomacia tivesse falhado, teríamos de contar apenas com opções militares para conter esse avanço. O congelamento do programa permitiu uma solução diplomática, verificável, cientificamente e tecnicamente viável. Não foi apenas uma conquista diplomática, mas um extraordinário esforço conjunto de países responsáveis para remover um perigo imediato para a paz e a estabilidade. Se os EUA derem agora as costas ao acordo, isso seria mais um fato embaraçoso, uma ação irresponsável e perigosa" (Estadão, 13-10-2017).

 

PYONGYANG: pesquisas mostram que 65% dos americanos, portanto mais de dois terços, acreditam que as declarações do presidente Donald Trump pioraram a situação com a Coréia do Norte. Houve um isolamento do ditador Kim Jong-un. Retórica trumpista chamando o ditador de "homem do foguete" e ameaçando "destruir completamente" o país levaram Kim a responder com mais ameaças. Os dois presidentes seguem na retórica mutuamente ameaçadora e maximizada pela mídia. Só 8% dos americanos avaliam as declarações de Trump como positivas. A pesquisa foi feita pela Associated Press em parceria com a Norc-Center for Public Affairs Research e publicada no Estadão em 12/10/2017. 

 

MALUCO? Sem dar ouvidos a Kim Jong-un, desprezível presidente de um país menor, sem chances militares contra as potências do Ocidente, é preciso prestar atenção exatamente no maior dos personagens, o presidente americano Donald Trump. Aqui citamos três pequenas questões (Unesco, Irã e Pyongyang), diferentes entre si, mas reveladoras de uma personalidade instável, exibicionista e belicosa. Talvez seja o caso de dar razão ao repórter Ubiratan Brasil que, em Frankfurt, acrescentou a palavra "maluco" à sua matéria sobre Salman Rushdie. Tudo leva a crer, nesses tempos sombrios (o título da matéria de Ubiratan), que alguns personagens podem botar fogo no mundo. Em 1939, bastou um. Agora temos vários. 




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