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UGT Press 607: Delete facebook


10/04/2018

DELETE FACEBOOK: depois do escândalo envolvendo a rede social Facebook, começa a tomar corpo a campanha "delete Facebook". O milionário Elon Musk, proprietário da Tesla (automóveis elétricos) e da SpaceX (corrida aeroespacial) excluiu, em 23 de março, as duas organizações da rede social Facebook, sugerindo aos seus seguidores (6,9 milhões) no Twitter para fazerem o mesmo. Contudo, avisou que continuará utilizando o Instagram (rede de compartilhamento de fotos de propriedade do Facebook). O proprietário da Tesla/SpaceX é também conhecido por suas críticas à inteligência artificial "pelos perigos que encerra". Mark Zuckerberg chamou-o de "pessimista" e recebeu como resposta que é "um homem limitado" (Estadão, 24/3).

 

MERCADO NEGRO: tudo indica que já há um mercado negro de dados e algoritmos que perseguem as suas preferências ou tendências. Exemplo: se você entra num site para se informar sobre viagens, imediatamente você passa a receber mensagens de empresas vendedoras de passagens e de hospedagens em hotéis. Nas redes, abrem-se do nada janelas oferecendo produtos ligados às suas pesquisas ou aparecem promoções de venda de produtos afins. O escândalo envolvendo Mark Zuckerberg "trouxe à tona uma prática comum no Facebook, segundo ex-executivos da rede social, que diziam que a empresa não tinha controle nenhum sobre o que seus parceiros faziam com informações compiladas ali e que havia até surgido um mercado negro de dados" (Folha de São Paulo, 22/03).

 

CLIENTE AMERICANO: o buldogue republicano de direita (isso é pleonasmo) John Bulton, cuja passagem pelo governo de George W. Bush não traz saudade alguma, é o novo conselheiro de segurança nacional de Donald Trump. Foi ele quem procurou a Cambridge Analytica, empresa "contratada para desenvolver perfis psicológicos de eleitores com base em dados recolhidos de dezenas de milhões de perfis de usuários do Facebook, segundo ex-empregados e documentos da empresa", escreveu Matthew Rosenberg, do New York Times e reproduzido na Folha de São Paulo em 24/03. O contrato previa o fornecimento de "microdirecionamento comportamental acompanhado por mensagens psicometrificada". A contratação ocorreu em 2014 e a operação toda, que abrangeu os dois anos seguintes, custou 1,2 milhão de dólares. Considerando os valores gastos nas eleições americanas, isso é uma ninharia.

 

BRASIL COM RISCOS MAIORES: repetindo que, se isso acontece no Reino Unido e nos Estados Unidos, imagine no Brasil? Aqui há tradicional desprezo por regras e leis, ninguém respeita coisa alguma. Entre nós, a falta de proteção de dados pessoais, incluindo que boa parte da divulgação ou venda ocorre até mesmo a partir de repartições públicas. Faz pouco tempo houve a divulgação de ampla reportagem, em que os trabalhadores recém aposentados recebiam (continuam recebendo) ligações telefônicas dos bancos, oferecendo-lhes créditos consignados. Veja: os dados estavam com o INSS e os bancos são instituições fiscalizadas pelo Banco Central. Daí se nota que a nossa vulnerabilidade é total. "Há no Brasil uma colcha de retalhos de leis sobre dados pessoais, mas que não nos dão instrumentos para lidar com o assunto", afirmou ao Estadão (25/03) Francisco Brito Cruz, diretor do centro de pesquisa em direito e tecnologia InternetLab. Há mais de sete anos temos projetos tramitando sobre o assunto no Congresso Nacional. Enfim, neste país nem os poderes da República funcionam.

 

REPERCUSSÕES: em todo o mundo vem repercutindo o escândalo do Facebook, o que coloca, de imediato, duas questões fundamentais em pauta: a) a credibilidade da empresa de Mark Zuckerberg, já sofrendo enormes prejuízos em bolsa de valores e perdendo usuários aos montes; e b) a possibilidade de regulamentação do assunto por parte de poderosos parlamentos (Reino Unido, Europa e Estados Unidos), o que, por certo, provocará uma corrida legislativa ao redor do mundo. Outro reflexo importante a médio prazo pode recair nas técnicas de marketing político, tema que também precisa de muita atenção e que nas últimas décadas vem tendo crescente influências nas eleições, principalmente latino-americanas.

 

PERGUNTAS INCÔMODAS: sabendo que as eleições americanas e o Brexit podem ter sido fraudados, como ficam de agora em diante a legitimidade do governo de Donald Trump e as medidas urgentes de saída do Reino Unido da União Europeia?




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