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UGT Press 547: Fechar ou abrir: dilemas do comércio


14/03/2017

BLOCOS E TLCs: o início dos blocos econômicos, a partir do impulso e criação dos acordos na Comunidade Europeia (hoje, União Europeia), espalhou-se pelo mundo e no Brasil ainda estamos trabalhando com o nosso Mercosul. Sempre discutido e ocasionalmente criticado pelos políticos de plantão, o Mercosul multiplicou as possibilidades de negócios na região. Na mesma linha, apareceram os TLCs (Tratados de Livre Comércio), bilaterais ou multilaterais, existentes em profusão. Dizer que os blocos ou TLCs são um entrave para o desenvolvimento econômico é desconhecer a dinâmica da economia e a necessidade das relações internacionais de negócios. Não há dúvida que o comércio contribui mais para a paz do que um muro separando populações. Contudo, não sejamos tão simplistas, pois por todas as partes existem complicações pontuais, que podem ser debitadas ao estágio civilizacional. A humanidade não evoluiu o suficiente e, por enquanto, grandes multinacionais são as que mais estão lucrando com blocos e TLCs.

 

TRUMP E O MÉXICO: no mínimo estranha, para não dizer assustadora, a obstinação de Donald Trump em relação ao NAFTA e aos mexicanos. Certamente, pesa nessa questão (que recebeu apoio de praticamente metade dos eleitores americanos que votaram) o desequilíbrio comercial, estimado em 60 bilhões de dólares em favor do México. O NAFTA inclui também o Canadá, mas dele Trump não fala por dois motivos: 1) as relações de comércio Estados Unidos/Canadá estão mais equilibradas; e 2) embora existam canadenses vivendo nos Estados Unidos (e americanos no Canadá), não se pode falar de migrações em massa. Seria possível agregar outros fatores, incluindo um explosivo, sempre na boca de alguém mais inconformado, que é o racista, um olhar preconceituoso em relação ao mexicano, latino-americano, cujo contingente é bastante expressivo em território americano.

 

PRECONCEITO: sim, o preconceito existe, mas não só em relação ao mexicano. Também são vítimas de preconceitos outros numerosos grupos de imigrantes, de outros países e de outras regiões do globo. O problema é mundial e não só dos Estados Unidos. E o que dizer do preconceito racial contra os negros, afrodescendentes, que tanta contribuição deram à economia americana, sobretudo do Sul no início da colonização? Enfim, o caso contra o México e os mexicanos estão na conta eleitoral das promessas de campanha e dos argumentos que levaram Trump à presidência dos Estados Unidos. Agora, a sua palavra pode ser cobrada e ele, com certeza, tem a intenção de ser reeleito daqui a quatro anos. Daí, provavelmente, nasceu o "compromisso moral" de Trump em relação ao México e aos mexicanos. Como vai terminar isso ninguém sabe, mas a única esperança está nas ações do Congresso e da Justiça Americanos: só essas instituições, que em outras ocasiões já se mostraram maduras e independentes, para refrear as loucuras da campanha eleitoral, uma das mais sórdidas da história.

 

EXEMPLOS DE INTEGRAÇÃO COMERCIAL: no atual estágio do comércio internacional, a integração produtiva é defendida como forma de barateamento dos produtos, aumento da competitividade e conquista de mercado. Para citar um só caso, a indústria automobilística americana recuperou parte de seu vigor exatamente em função da integração produtiva. Vejam o que escreveu Neil Irwin , do New York Times: "Na indústria automobilística, por exemplo, as cadeias de suprimento cruzam a América do Norte. Se você é dono de um Ford montado no Michigan, ele pode incluir um painel fabricado em Juárez, no México, e uma transmissão produzida em Windsor, Canadá. Essa complexa cadeia de suprimentos ajudou a tornar a indústria automobilística dos EUA competitiva com fabricantes da Ásia e Europa." Exemplos como esse devem existir muitos nos três países do NAFTA. Ou seja, a obstinação de Trump com a reformulação do acordo comercial entre os três países poderá, eventualmente, também ser prejudicial aos Estados Unidos. É esperar para ver.

 

ABRIR OU FECHAR? são mais numerosos os exemplos de sucesso de um país quando ele se volta para a valorização das trocas internacionais. A Nova Zelândia é um exemplo eloquente da política de abertura comercial, com pouca intervenção do Estado no processo. Na história econômica mundial, os registros de maior crescimento econômico estão, na maioria, do lado de países que investiram no comércio internacional. Do outro lado, citam-se os exemplos das economias fechadas do leste europeu, o contraste entre as duas Alemanhas do passado, de Cuba aqui perto de nós. Há também argumentos políticos e ideológicos, mas essa é uma área que, embora importante, está fora desta análise. Deste ponto de vista, os Estados Unidos serão um novo laboratório. Estaremos diante de nova experiência a ser promovida por uma nação forte e grande, desenvolvida, militarmente equipada e com boa reserva de inteligência em suas universidades.  




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