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UGT Press 542: A volta do nacionalismo


10/02/2017

NACIONALISMO: em geral, os dicionários dizem que nacionalismo nada mais é do que a salvaguarda dos interesses ou a exaltação dos valores nacionais. É um sentimento de pertencer a um grupo por vínculos raciais, linguísticos ou históricos; de valorização marcado pela identidade com uma Nação; de preservação e pertencimento a uma Nação e seu território, sua língua e suas manifestações culturais. É um produto da Europa pós-medieval e pré-moderna. Fortaleceu-se após a Revolução Francesa e representa, segundo alguns historiadores, a terceira fase da história da humanidade, quando os estados nacionais se tornaram um ente jurídico, político e cultural, substituindo os impérios da Idade Média.

 

VOLTANDO À MODA: talvez exatamente pelo salto positivo da humanidade, criando blocos e unidades, o mais eloquente a União Europeia, é que começaram a aparecer os movimentos nacionalistas modernos, inconformados com os rumos da unidade e reclamando de volta a identidade nacional. O movimento mais impressionante foi a saída da Grã-Bretanha do bloco europeu (Brexit), ainda não consolidado. Depois disso, os problemas da Turquia, Oriente Médio e Ásia. Agora, a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos, creditada aos seus gestos de recuperação do amor ao país e à defesa dos valores nacionais, incluindo aí circunstâncias de caráter econômico e cultural (defesa da empresa nacional, do trabalhador americano e do sentimento de pertencimento e contra a invasão de imigrantes estrangeiros). Em todos os casos, uma salada de situações que determina a vitória do imponderável e o sucesso da extravagância. Contudo, bom ou ruim, o nacionalismo está de volta e há outros exemplos em andamento, principalmente na Europa.

 

NOVA ERA: o professor Timothy Garton Ash, especializado em estudos europeus na Universidade Oxford, escreveu um artigo para Project Sindicate (Estadão, 22/01/17), começando com a seguinte frase: "Esta semana é marcada pelo início não apenas do governo de Donald Trump, mas de uma nova era de nacionalismo. Trump é agora colega de Vladimir Putin, da Rússia; Narendra Modi, da Índia; Xi Jinping, da China; Recep Tayyip Erdogan, da Turquia e uma série de outros líderes nacionalistas em todo o planeta. Embora seja injusto descrever Theresa May como nacionalista, o anúncio feito por ela dizendo que levaria a cabo um Brexit forçado reflete a pressão do nacionalismo britânico sobre a direita - e deve incentivar o nacionalismo de outros. É claro que eras nacionalistas não são novidade, mas, juntamente por já as termos vivenciado sabemos que elas frequentemente têm início com as esperanças elevadas e terminam em lágrimas". Não é preciso ler mais, o maior exemplo de fim e começo de séculos relativo às "esperanças e lágrimas" certamente vem da Venezuela.

 

ATREVIMENTO: neste momento, o número de importantes líderes nacionalistas e a confusão de personalidades díspares, certamente é um atrevimento e uma aventura pensar em Adolf Hitler. Naturalmente, as condições do mundo atual, com o já avançado estágio de globalização, razoável ordem internacional e alto nível de interdependência entre os países, sugere dizer que não estamos na primeira metade do século 20 que comportou duas grandes guerras mundiais. Vivemos um período diferente, com predominância de armas letais de grande destruição e ninguém seria louco o suficiente para incitar conflitos. Mas, todo o cuidado é pouco, estamos lidando com lideranças nacionalistas sentadas em cadeiras importantes e localizadas nos mais populosos (e armados) países do mundo. Chamados para a paz são urgentes. 

 

APRENSÃO: esses arroubos nacionalistas causam apreensão em várias partes do mundo. É preciso ter juízo. Então, as organizações de trabalhadores, sobretudo as centrais internacionais, devem implementar logo novos encontros de entidades sindicais desses países todos. Trabalhadores e suas organizações devem estar acima das divergências nacionais. O internacionalismo sindical nunca foi tão necessário. 




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