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IBGE começa a divulgar inflação com novo cálculo e preços coletados por robôs


06/02/2020

Na próxima sexta-feira (7), o IBGE divulga a inflação oficial do país, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), com base na nova cesta de produtos e serviços, que foi atualizada para acompanhar mudanças nos hábitos de consumo da população brasileira. É a primeira vez também que o indicador será divulgado com preços coletados por robôs virtuais em páginas na internet.

 

A cesta contém 56 novos produtos e serviços que ganharam relevância no consumo dos brasileiros nos últimos anos, como transportes por aplicativo e serviços de streaming. Entraram também no cálculo despesas relacionadas à vida saudável e estética, tratamento e higiene de animais domésticos e até o consumo de macarrão instantâneo. Outros itens, porém, perderam espaço ou foram excluídos do orçamento das famílias, como aparelhos de DVD, assinatura de jornais e máquinas fotográficas.

 

Os componentes da inflação têm como base os resultados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017-2018, que atualizou os hábitos de consumo, despesas e renda das famílias. A nova cesta foi divulgada pelo IBGE em outubro do ano passado com as estruturas prévias de ponderação, que foram atualizadas em janeiro de 2020. Com 377 produtos e serviços, a nova estrutura do IPCA traz seis subitens a menos que no modelo anterior, que era baseado na POF 2008-2009 e estava em vigor desde 2012.

 

 

 

Robôs já coletam preços para o indicador

 

Além da nova cesta, a inflação de janeiro trará preços do transporte por aplicativo coletados por robôs, inovação que será ampliada para as passagens aéreas a partir do IPCA de fevereiro. A novidade automatiza o processo que era realizado manualmente por técnicos que acessavam os sites das companhias e faziam simulações de centenas de preços de passagens, afirmou o gerente de Índices de Preços do IBGE, Pedro Kislanov. Com os robôs, o número de consultas passou para milhares, em poucos minutos.

 

Os sistemas começaram a ser desenvolvidos pelo IBGE em meados de 2018. A coleta dos dados é feita por uma técnica de programação chamada web scraping, que captura as informações nos sites de forma automática. Diversos testes foram realizados nos últimos dois anos e, de acordo com Kislanov, não houve grande diferença entre os preços coletados manualmente e os buscados pelos dois robôs. O projeto deu tão certo que um terceiro robô, que coleta preços de hotéis, está em fase de testes. O IBGE também estuda aplicar a técnica para outros produtos, como materiais de higiene e livros.

 

“Conseguimos fazer uma coleta massiva de preços com os robôs, minimizando as chances de erros e apresentando um indicador ainda mais fidedigno. Também reduzimos custos com pessoal ao deslocarmos pessoas que faziam a coleta dos preços nos sites para outras tarefas”, disse ele, acrescentando que os critérios metodológicos não foram alterados com a automação, e a coleta manual e presencial continua para demais produtos e serviços.

 

Inovação do papel aos robôs

 

Nos 40 anos de IPCA, a coleta dos preços sempre acompanhou os avanços tecnológicos. O indicador, criado em 1980, um ano depois do INPC, surgiu inovando e influenciou outras pesquisas do IBGE. A começar pelo questionário que, embora em papel, foi desenvolvido pela área técnica em uma formatação padrão com campos que podiam ser editados quantas vezes fossem necessárias – uma inovação à época, conta Marcia Quintslr, que por mais de 15 anos trabalhou como coordenadora de Índice de Preços. 

 

“Isso não se cogitava nos questionários do IBGE. Hoje eu fico pensando que parece um avanço bobo, mas não era. Dava uma agilidade ao trabalho muito importante”, lembra a técnica da Diretoria de Pesquisas do IBGE.

 

A coleta de dados seguiu avançando e, do papel, migrou para o Personal Digital Assistant (PDA), um computador de mão com caneta touch, implantado em 2007.

 

“Embora a estrutura do questionário em papel fosse um avanço, ele não permitia a crítica dos preços na hora, ou seja, a revisão automática das informações a fim de evitar valores estranhos ou errados preenchidos no questionário. Se algum valor fosse preenchido no questionário, o PDA automaticamente questionava o pesquisador se aquele dado estava correto”, contou Pedro Kislanov.

 

A agilidade na transmissão dos dados foi outro avanço do equipamento. “Na época do papel, era necessário digitar os dados coletados no computador. Levava semanas, meses para registrar todas informações coletadas em campo. Com o PDA, bastava conectar o aparelho ao computador e as informações eram sincronizadas no sistema. A atualização dos itens do questionário no PDA também era feita em poucos minutos”, disse o gerente de Índices de Preços.

 

Em 2018, o IBGE sofisticou ainda mais a ferramenta de coleta ao desenvolver o DMC (Dispositivo Móvel de Coleta), um smartphone com um aplicativo do Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor (SNIPC). Segundo Kislanov, o app possui uma interface mais intuitiva que a do PDA, tem ferramentas úteis ao pesquisador, como a calculadora, e dá acesso à internet, o que permite o envio das informações coletadas e dos relatórios de erro em tempo real para as bases de dados do instituto.

 

“Recentemente, incluímos o georreferenciamento da coleta. O DMC registra as coordenadas do local e cruza com as informações do nosso cadastro de endereços. Isso confirma se o entrevistador efetivamente coletou as informações no local correto. É uma forma excelente de monitorar os dados que estão sendo coletados”, contou ele.

 

Para o futuro, além dos robôs que começaram a ser usados este ano, a Coordenação de Índices de Preços do IBGE vislumbra coletar preços por notas fiscais eletrônicas e códigos de barras. “Informações como preços e volume de consumo poderiam vir dos próprios supermercados. Seriam informações preciosíssimas para nós. Só que hoje em dia é uma informação muito cara. E, no caso das notas fiscais, dependemos de um acordo com as secretarias de Fazenda dos estados”, concluiu Pedro Kislanov.

 

Fonte: Agência IBGE




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