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PNAD lares chefiados por mulheres crescem 47% em 6 anos


23/05/2019

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (PNAD) divulgada ontem aponta que, em 2018, 1,4 milhão de domicílios no Estado eram chefiados por mulheres

 

Quem é responsável pela casa onde você mora? No Ceará, essa resposta tem recebido cada vez mais o nome de mulher. Marias, Silvias, Teresas... entre 2012 e 2018, o percentual de mulheres apontadas como responsáveis pelo domicílio cresceu 47% no Estado. No mesmo período, a indicação de homens caiu 0,4%.

 

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (PNAD), há sete anos essa variável da coleta de dados era de 954 mil mulheres na condição de líder da residência. Ano passado, foram 1,4 milhão. Uma mudança estatística que reflete transformações de décadas e pode significar diferentes interpretações. 

 

Na casa da artesã Teresa Cristina Gadelha, 47, há muito tempo não existem mais dúvidas sobre quem é a responsável pela logística que inclui compras, ida ao médico e até geração de renda. "A minha palavra aqui é importante", afirma Teresa. Ela mora junto da mãe, irmã e dos dois filhos. Se o assunto é ir ao supermercado, é com a Teresa. Se precisa levar alguém ao hospital, também é com ela.

 

Separada há mais de 20 anos, a artesã disse que sempre trabalhou. "E sempre cuidei das coisas de casa também", ressaltou. Hoje, os filhos, com 23 e 26 anos, trabalham na empresa de artesanato da mãe. Eles cuidam da parte administrativa e de vendas. "O reconhecimento sobre o que eu faço é fundamental, meus filhos me veem trabalhando e se inspiram nisso", complementa.

 

A PNAD, elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), considera responsável pelo domicílio a pessoa de referência indicada no momento da pesquisa. Não necessariamente quem ganha mais, nem obrigatoriamente traduz apenas a quantidade de domicílios onde a mulher atue sem um companheiro. "Muitas dessas famílias são chefiadas por uma mulher, mas ela tem um companheiro", pondera a Celecina Sales, coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Gênero, Idade e Família da UFC.

 

A especialista considera, porém, o crescimento da participação feminina no mercado de trabalho e a realidade econômica no Brasil nos últimos anos, com altos índices de desemprego. "Talvez, o que é mais interessante nesse dado é, na verdade, o reconhecimento. O fato de a mulher se indicada como responsável pela família mostra o reconhecimento, significa que ela não mais é apenas a cuidadora", avalia Celecina. Conforme ela, o dado, na verdade, pode ser pano de fundo para diversas constatações, inclusive a que trata do acúmulo de tarefas.

 

"A mulher hoje trabalha fora, mas ainda cuida da casa e dos filhos. Por isso também é considerada responsável", destaca, complementando que existem estudos apontando maior incidência de doenças nas mulheres por causa dessa atuação em várias frentes. Essa mulher, apontada na pesquisa, tem companheiro? Ela assume a família sozinha, como a Teresa? Houve uma emancipação por escolha ou ela foi abandonada? "Muitas perguntas derivam desse dado. Mas eu reafirmo que o reconhecimento significa a real mudança da família e uma dessas modificações é sobre o papel feminino", analisa a professora.

 

Para o economista André Ferreira, a realidade traduzida pela PNAD reflete também a questão econômica. "Esse processo de emancipação econômica já acontecia, mas no ambiente doméstico ainda não tinha se manifestado", considera. Ele afirma que o crescimento da participação da mulher não tem sido apenas sobre a inserção no mercado de trabalho, mas também no protagonismo da busca por instrução. "É possível identificar que as mulheres vêm contribuindo num processo de ascensão e têm conseguido se adaptar melhor às mudanças econômicas", pontua.

 

Mas essa mudança não é fácil. Há rupturas e outros dados que também demonstram esse novo momento da organização familiar. André aponta dentro desse contexto o aumento dos casos de violência. "A mulher está em uma luta pela emancipação e isso cria resistência. O machismo e a sociedade patriarcal reagem a essas iniciativas", pondera.

 

A PNAD Contínua representa a consolidação de dados referentes a 168 mil domicílios. São investigadas informações sobre sexo, idade, cor e raça dos moradores. Além de temas como serviços de saneamento básico e energia elétrica e posse de bens e serviços.

 

Fonte: O Povo




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