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Funcionárias do Google relatam retaliação depois de organizar greve contra assédio sexual


26/04/2019

Duas funcionárias do Google, Claire Stapleton e Meredith Whittaker, ajudaram a organizar uma greve de 20 mil pessoas em novembro. E agora elas dizem que estão pagando um preço alto por isso.

 

Em uma carta compartilhada internamente com colegas de trabalho na segunda-feira, 22, e analisada pelo jornal The New York Times, Stapleton, gerente de marketing do YouTube, disse que o Google a rebaixou depois que ela pediu aos colegas que fizessem uma greve contra a empresa no ano passado por causa da forma como foi tratada a questão de assédio sexual. Whittaker, pesquisadora de inteligência artificial, disse na carta que ela também havia sido “informada de que minha função seria mudado de forma dramática”.

 

Além do rebaixamento, segundo Stapleton, o Google a instruiu a tirar uma licença médica, embora não esteja doente, segundo a carta. E Whittaker contou que lhe disseram para abandonar seu trabalho externo na Universidade de Nova York, onde dirige pesquisas sobre inteligência artificial e ética para o AI Now Institute da universidade.

 

 Stapleton disse ter contratado um advogado, revertendo o rebaixamento. Whittaker não mencionou se seu papel havia sido mudado.

 

“Só depois que contratei um advogado que entrou em contato com a empresa, o Google fez a administração realizar uma investigação e revogou meu rebaixamento, pelo menos no papel”, escreveu Stapleton na carta. “Embora meu trabalho tenha sido restaurado, o ambiente continua hostil e eu penso em pedir demissão quase todos os dias.”

 

Negação. “Proibimos a retaliação no local de trabalho e investigamos todas as acusações”, disse uma porta-voz do Google. “Os funcionários e as equipes recebem normal e regularmente novas atribuições, ou são reorganizados, para acompanhar as necessidades de negócios em evolução. Não houve retaliação aqui.”

 

Em outubro, o The Times informou que o Google havia fornecido um pacote de saída com indenização de US$ 90 milhões para Andy Rubin, o criador do sistema operacional móvel Android, depois que uma acusação de assédio sexual contra ele foi considerada confiável. O pagamento generoso após a má conduta revoltou os funcionários do Google. Os principais executivos da empresa mais tarde se desculparam e revelaram que haviam demitido 48 pessoas por assédio sexual nos últimos dois anos, e nenhum recebeu indenização.

 

Mas as desculpas não acalmaram a inquietação dos funcionários. Stapleton e Whittaker, junto com outros colegas, pediram que os funcionários fizessem greve por um dia em protesto. Na época, Stapleton disse em uma entrevista que o artigo do The Times tinha “acendido as luzes sobre o preconceito, discriminação e desigualdade sistêmica que as mulheres e outros grupos experimentam de forma muito visceral no Google”.

 

Movimento. Em 1º de novembro, cerca de 20 mil funcionários do Google deixaram o trabalho em vários locais em todo o mundo, incluindo Berlim, Chicago, Londres, Seattle, Cingapura, Zurique e Hyderabad, na Índia, assim como na sede da empresa em Mountain View, na Califórnia. Alguns carregavam cartazes que diziam “OK, Google, sério?” E gritavam: “Enfrentem! Contra-ataquem!” Alguns funcionários falaram publicamente sobre como enfrentavam assédio sexual no trabalho.

 

Posteriormente, o Google anunciou que encerraria sua prática de arbitragem forçada por alegações de assédio sexual.

 

Mais de 300 outros funcionários compartilharam histórias de retaliação desde a greve, escreveram Stapleton e Whittaker em sua carta. Elas disseram que planejavam compartilhar suas histórias de retaliação em uma reunião da empresa nesta sexta-feira, 26.

 

 “Acho que é bastante simples", disse Amr Gaber, engenheiro de software do Google que ajudou a organizar a paralisação. “O Google nunca os tratou dessa maneira e, em seguida, a paralisação aconteceu. Agora eles estão tendo que lidar com o fato de que seu trabalho não é mais valioso”.

 

A reunião de sexta-feira permitirá que outros falem sobre suas experiências, disse Gaber. "Se não podemos lutar contra o medo, as pessoas não deverão se manifestar e ficaremos sem ouvir as vozes que precisam ser ouvidas”, disse ele.

 

Fonte: Estadão


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