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Corte de emissões deixará 30 mil desempregados, diz chefe da Peugeot-Citroën


21/03/2019

 

As metas para redução das emissões de CO2 de automóveis na Europa devem levar à demissão de 30 mil trabalhadores do continente nos próximos anos, afirmou o presidente mundial do grupo PSA Peugeot Citroën, Carlos Tavares.

 

O Parlamento Europeu definiu que até 2030 deverá haver um corte de 40% nas emissões de veículos novos.

 

Tavares, que é também o atual presidente da Acea (associação de montadoras europeias), disse que a proposta do setor era para uma redução de 20%, podendo chegar a algo perto de 30% após negociação.

 

Segundo ele, alcançar a redução de 40% exige um número muito elevado de veículos elétricos no mercado —cerca de 30% das vendas das montadoras.

 

Só que esses modelos são mais caros que os carros a gasolina, por exemplo, e exigem também a implementação de uma rede de recarregamento que ainda patina.

 

"Ou vamos aumentar os preços para proteger margem, mas aí não chegamos à redução estipulada e temos de pagar uma multa brutal, ou não aumentamos os preços, mas cada automóvel vai gerar prejuízo e vamos ter de reestruturar as empresas e acabar com empregos", afirmou Tavares a jornalistas.

 

A montadora americana Ford já anunciou que planeja cortar mais de 5.000 empregos na Alemanha e quer reduzir também sua força de trabalho no Reino Unido.

 

A medida faz parte de um plano de recuperação anunciado pela Ford em janeiro que envolve milhares de cortes de mão de obra, o fechamento de fábricas e a interrupção de linhas de veículos deficitárias.

 

Já a alemã Volkswagen disse que vai fechar de 5.000 a 7.000 postos de trabalho até 2023 como parte de um plano de ajustes para financiar investimentos em carros elétricos e autônomos.

 

Essas reestruturações lá fora, somadas a desafios tecnológicos como o de carros autônomos e de sofisticada conexão com a internet, também afetam o Brasil. 

 

A General Motors confirmou na terça-feira (19) um investimento de R$ 10 bilhões em fábricas no estado de São Paulo que, segundo o governador João Doria (PSDB), estavam ameaçadas de fechamento.

 

Os investimentos, no entanto, foram condicionados pela GM, que passa por uma reestruturação global, renegociações com fornecedores, concessionárias e sindicatos.

 

A Ford chegou a anunciar que vai fechar sua fábrica em São Bernardo do Campo (na Grande São Paulo), mas o governo do estado tenta auxiliar na busca por um comprador para a unidade.

 

Apesar do clima tenso entre seus pares, Tavares diz ver grande potencial para o Brasil, com uma série de decisões orientadas para o aumento da produtividade no país.

 

Entre elas, ele citou a estabilização da moeda e a confirmação do acordo de livre-comércio de carros e autopeças entre Brasil e México, que passou a vigorar a partir desta terça.

 

"É um sinal positivo porque demonstra que o país não tem medo de se expor à concorrência. Os mexicanos têm uma competitividade muito forte e vão empurrar os fornecedores brasileiros para isso também", afirmou o executivo.

 

O desafio, diz ele, são as crises constantes que o Brasil enfrenta.

 

"Quando fazemos um plano de melhorar qualquer coisa aqui, tem de ser por períodos curtos, entre duas crises", diz.

 

Desde o ano passado, a PSA implementa um projeto que chamou de "Virada Brasil".

 

O plano não inclui investimentos, mas a ideia é que haja uma redução de custos fixos, variáveis e de distribuição, bem como um gasto mais eficiente em marketing.

 

A melhorireadequação de gastos ocorre paralelamente ao plano "Push to Pass" da PSA, que propõe, para o Mercosul, o lançamento de 16 novos veículos até 2021.

 

Hoje, Peugeot e Citroën juntas têm uma participação de 2% no mercado brasileiro. A ideia é que esse percentual chegue a 5%.

 

A PSA tem um fábrica operando no Brasil desde 2001, em Porto Real (RJ).

 

Cerca de metade dos automóveis fabricados por lá vai para abastecer o mercado argentino, que levou um baque em 2018 com picos de inflação.

 

No Brasil, a operação da PSA opera no vermelho desde 2012.

 

Com a ajuda da Argentina, no entanto, o braço Mercosul vinha fechando com resultado positivo até 2017.

 

O Brasil deixou de perder tanto dinheiro, mas, com a crise no vizinho, 2018 foi um ano de chamado "break even" (quando receitas e despesas quase se equivalem) para a operação no Mercosul.

 

"O plano [Virada Brasil] está produzindo efeitos positivos, ainda não atingimos totalmente os objetivos, mas a situação no país está melhorando, apesar do contexto difícil", disse Tavares.

 

Fonte: Folha de S.Paulo




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