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Idosos indicam caminhos para uma melhor idade


21/03/2019

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), idoso é todo indivíduo com 60 anos ou mais. O Brasil tem mais de 28 milhões de pessoas nessa faixa etária, número que representa 13% da população do país. E esse percentual tende a dobrar nas próximas décadas, segundo a Projeção da População, divulgada em 2018 pelo IBGE.

 

Para que os idosos de hoje e do futuro tenham qualidade de vida, é preciso garantir direitos em questões como saúde, trabalho, assistência social, educação, cultura, esporte, habitação e meios de transportes. No Brasil, esses direitos são regulamentados pela Política Nacional do Idoso, bem como o Estatuto do Idoso, sancionados em 1994 e em 2003, respectivamente. Ambos os documentos devem servir de balizamento para políticas públicas e iniciativas que promovam uma verdadeira melhor idade.

 

“Música é terapia”

 

Foi durante um passeio com o marido, em 1991, que Beatriz Spinoza, de 73 anos – ou “quase 74”, como ela faz questão de ressaltar – descobriu a seresta do palácio do Catete, no Rio de Janeiro. “Ouvimos uma voz lindíssima e decidimos entrar para ver o que era”, relembra. A paixão foi instantânea e Beatriz se tornou frequentadora assídua dos encontros musicais. “Já cheguei a frequentar todos os dias e, atualmente, deixo de vir uma ou duas vezes por semana, no máximo”, fala e completa: “A gente vai ficando com idade, o marido morre e a maior parte das pessoas começa a sentir solidão. Eu não sinto! Venho para cá, converso, me distraio, faço amizade...”.

 

 

O público da seresta do palácio do Catete é formado por idosos entre 60 e 90 anos -  Foto: Licia Rubinstein/Agência IBGE Notícias

Uma das amigas seresteiras é Dulce Silva, de 77 anos, que encontrou nessa atividade não só o seu momento de distração, como também um talento até então escondido. “Eu sempre fui de sair, quer me dar um castigo é falar para eu ficar em casa. E a seresta é muito prazerosa. Vim para cá através de um amigo, comecei a cantar de intrometida e acabei achando que era cantora”, diz.

 

A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), realizada pelo IBGE em 2013, mostrou que a cada quatro pessoas com 60 anos ou mais, pelo menos uma relatava participar de atividades sociais organizadas, como a seresta do palácio do Catete. Entre as mulheres, o percentual era maior, chegando a quase 30%. Mas a participação dos homens também foi significativa, ficando bem pouco abaixo dos 20%.

 

Miguel Zogahib, de 87 anos, é um dos exemplos. Ele participa da seresta há tanto tempo que, quando é perguntado como ficou conhecendo os encontros, responde sem pestanejar: “Eu nasci aqui”. Para Miguel, a seresta é um hobby, que reúne amigos e músicos de “primeira categoria”. “Música é terapia”, conclui.

 

Assim como Beatriz, Dulce e Miguel, muitos outros idosos encontraram no palácio do Catete um espaço de lazer. De acordo com Maria Helena Versian, historiadora do Museu da República, cada seresta conta, em média, com 50 participantes. Apesar de também serem frequentadas por pessoas mais jovens e até crianças, a maior parte do público tem entre 60 e 90 anos.

 

As decisões diante do envelhecimento populacional

 

A população idosa tende a crescer no Brasil nas próximas décadas, como aponta a Projeção da População, do IBGE, atualizada em 2018. Segundo a pesquisa, em 2043, um quarto da população deverá ter mais de 60 anos, enquanto a proporção de jovens até 14 anos será de apenas 16,3%. Segundo a demógrafa do IBGE, Izabel Marri, a partir de 2047 a população deverá parar de crescer, contribuindo para o processo de envelhecimento populacional – quando os grupos mais velhos ficam em uma proporção maior comparados aos grupos mais jovens da população.

 

A relação entre a porcentagem de idosos e de jovens é chamada de “índice de envelhecimento”, que deve aumentar de 43,19%, em 2018, para 173,47%, em 2060. Esse processo pode ser observado graficamente pelas mudanças no formato da pirâmide etária ao longo dos anos, que segue a tendência mundial de estreitamento da base (menos crianças e jovens) e alargamento do corpo (adultos) e topo (idosos).

 

A demógrafa comenta que as principais causas para essa tendência de envelhecimento seriam o menor número de nascimentos a cada ano, ou seja, a queda da taxa de fecundidade, além do aumento da expectativa de vida do brasileiro. Segundo as Tábuas Completas de Mortalidade, do IBGE, quem nasceu no Brasil em 2017 pode chegar, em média, a 76 anos de vida. Na projeção, quem nascer em 2060 poderá chegar a 81 anos. Desde 1940, a expectativa já aumentou 30,5 anos.

 

Também de acordo com a PNS, 17,3% dos idosos apresentavam limitações funcionais para realizar as Atividades Instrumentais de Vida Diária (AIVD), que são tarefas como fazer compras, administrar as finanças, tomar remédios, utilizar meios de transporte, usar o telefone e realizar trabalhos domésticos. E essa proporção aumenta para 39,2% entre os de 75 anos ou mais.

 

Porém, uma boa saúde também é pré-requisito para que as pessoas possam trabalhar até mais velhas. A professora titular de demografia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Simone Wajnman, lembra que no Brasil os trabalhadores idosos vêm de uma época em que estudar era privilégio de uma elite e, portanto, têm baixos níveis de escolaridade. “O que a gente vê hoje no mercado brasileiro é que quem tem mais chance de continuar trabalhando nas idades mais elevadas são aquelas pessoas que têm mais escolaridade, que exercem ocupações que não dependem de força física”, diz.

 

Uma das iniciativas no mercado de trabalho pelo mundo, relatadas por Simone, é a alocação das pessoas idosas em áreas de atendimento ao público, ou em outras funções que exigem um profissional de perfil mais experiente e responsável. Ela acredita que a possibilidade de redução ou flexibilização da jornada de trabalho para essas pessoas também é uma solução. As discussões sobre iniciativas e políticas públicas para idosos também devem levar em consideração que essa população não é homogênea.

 

Fonte: Agência de Noticias IBGE




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