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Reforma fatiada pode gastar capital político de Bolsonaro, diz economista


05/12/2018

Para especialistas, negociar propostas para Previdência em partes impõe risco político

 

Economistas se dividem ao avaliar a proposta do presidente eleito Jair Bolsonaro de fatiar a reforma da Previdência e começar as mudanças pela adoção de uma nova idade mínima de aposentadoria.

Monica de Bolle, pesquisadora do Peterson Institute, em Washington, diz que fatiar a reforma significa gastar capital político várias vezes, o que, em sua avaliação, não faria sentido. “Para um governo que é virgem em negociação, me parece ser uma péssima ideia.” 

Bolle teme que, ao apreciar a idade mínima, o Congresso dê o assunto por encerrado e passe a se voltar para as agendas que interessam aos grupos que apoiam o futuro presidente, como a de costumes, cara à bancada religiosa. 

Fabio Klein, especialista em contas públicas da Tendências Consultoria, afirma que a estratégia de natureza "procedimental" tende a ter efeitos mais negativos do que positivos, pois o governo correria o risco de perder o foco e, junto com ele, o esforço de mobilização. 

No sentido contrário, Luiz Gustavo Bichara, sócio do Bichara Advogados, diz que fatiar a proposta pode fazer sentido em um contexto no qual grandes mudanças podem gerar discussões intermináveis. 
“Parece uma estratégia política e legislativa mais inteligente”, diz Bichara.

Fábio Silveira, sócio da consultoria MacroSector, diz que a proposta faz sentido se as fatias aprovadas forem coerentes com o todo que se pretende aprovar. “Mas o mais importante é como esse todo será trabalhado com o desejo da maioria da população." 

Para Silveira, se as mensagens do governo eleito continuarem sendo “atrapalhadas e confusas”, há o risco razoável de o governo queimar o capital político em poucos meses. Para evitar esse desastre, afirma, cabe definir logo o que o governo central pretende economizar com os gastos previdenciários. 

“O futuro governo tem a obrigação de ter esse número. E mais do que isso. Como pretende repartir esse sacrifício entre setor público e setor privado. Se essas referências não ficarem claras na largada, vamos ingressar num debate infinito, cujos danos podem ser enormes para o país”, diz Silveira. 

Bolle, do Peterson Institute, teme que a tentativa de passar a reforma em pedaços reduza a proposta à questão da idade mínima. “E a idade mínima é só uma casquinha. A reforma da Previdência terá que ser muito mais do que isso se a intenção for reequilibrar as contas”. 

Fonte: Folha de SP




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