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Mr. Catra, padrinho de artistas e pai de 32 filhos, morre aos 49 anos


10/09/2018

Conhecido pelas frases cáusticas e por ser polígamo e pai de 32 filhos, o cantor Mr. Catra, 49, morreu na tarde deste domingo (9), em decorrência de um câncer no estômago. Ele estava internado no hospital HCor, em São Paulo.

Catra se formou em direito, mas nunca exerceu a profissão. Além disso, ele dizia falar quatro línguas —inglês, francês, hebraico e alemão.

 

O cantor começou a carreira nos anos 1980 com uma banda de rock chamada O Beco. Mas foi no funk, nos anos 1990, que ele se tornou conhecido. Seu primeiro álbum, “O Bonde dos Justus”, lançado em 1994, trazia um dos seus primeiros hits, “Vida na Cadeia”.

 

Nos anos 2000, lançou um dos seus sucessos mais conhecidos até hoje, “Adultério”, uma paródia da música “Tédio”, da banda Biquíni Cavadão.

 

Uma das polêmicas músicas do funkeiro é “Bota um Chip na Minha”. Nela, “papai”, como ele mesmo se chamava, diz: “Para de ligar, isso me irrita, quer me rastrear? Bota um chip na minha pica”.

 

Entre outras composições mais tocadas estão “Uh Papai Chegou” e “Bonde que Vê”. Padrinho de outros funkeiros, Catra ajudou a alavancar a carreira de nomes como Valesca Popozuda, com quem fez a música “Mama”, e Tati Quebra-Barraco.

 

Ele fez diversas parcerias durante a carreira, a exemplo de “Kong”, que teve direito a videoclipe com a participação de Neymar e de Alexandre Pires. Também gravou com a Banda Uó a música “Catraca”.

 

Na época das eleições de 2014, em parceria com o sertanejo Thiago Matheus, o funkeiro lançou a música “Catra Presidente”. Nela, o candidato tinha como principais propostas a proibição dos casamentos e hotéis de graça, tudo isso “em nome do amor”.

 

O funkeiro vivia com três mulheres ao mesmo tempo. E foi autor de declarações controversas como “machismo é colocar sua fêmea para trabalhar”. Em entrevista à Folha, em 2013, disse repudiar “homem que bate em mulher. A não ser que ela peça”.

 

Além da música, ficou também conhecido por suas frases de efeito. Costumava começar seus shows com a emblemática “se tudo der certo, hoje vai dar merda”. Ou, então, “vai começar a putaria”.

 

Mr. Catra era o apelido de Wagner Domingues Costa que nasceu no morro do Borel, mas foi criado como playboy, como ele dizia. Cresceu na rua Dr. Catrambi, zona norte do Rio, e foi daí que surgiu seu apelido. 

 

Ele foi criado numa família de classe média alta que acolhera sua mãe biológica. Por isso, estudou em escolas tradicionais da capital fluminense, como o Colégio Pedro 2º.

 

Um documentário feito em 2011, pelo diretor Rafael Mellin, chamado “90 Dias com Catra”, revela algumas manias do cantor, como a de usar o mesmo microfone em todos os shows que fazia —podiam chegar a cinco por noite. “Sou operário do funk”, dizia ele.

 

“Microfone é que nem escova de dente e cueca. Tu usa cueca dos outros?”, diz o funkeiro no vídeo disponível no site Kondzilla —canal de vídeos de funk, fenômeno de visualizações. 

 

No documentário, ele conta algumas extravagâncias que fez com dinheiro, como promover uma chuva de R$ 14 mil ou queimar R$ 50 mil em fogos. “Não ligo muito para dinheiro”, afirmou o funkeiro, que dizia que quem tem dinheiro não tem amigo.

 

Religioso, ele se declarava “hebreu”. “Tive que matar meu espírito e ressuscitar para viver da bênção do milagre”, disse também à Folha em 2013, quando negou incompatibilidade entre fé e estilo de vida. 

 

Seu guia, dizia, era Salomão, rei de Israel e que teve várias mulheres. Na ocasião ele afirmou também “se meu coração pede pra ter uma união xiita, hebreia, por que casar catolicamente?”

 

Catra revelou que estava doente em dezembro do ano passado, mas o tumor havia sido descoberto no início de 2017. Nos últimos meses, ele havia mudado seus hábitos alimentares e emagrecido mais de 30 quilos.

 

À época, chegou a fazer um vídeo para acalmar os fãs e disse que estava na “área”. “O bagulho tá tudo tranquilo e o papai tá forte como um touro. Tem algumas coisas que acontecem de vez em quando, mas foi só uma balançada, uma bambeada. O touro tá aí de novo”, declarou, em dezembro de 2017.

 

O músico chegou a afirmar que o câncer poderia ter sido desencadeado por seus maus hábitos, como comer errado e ficar muitas noites sem dormir. 

 

“Eu adquiri a enfermidade e Deus deu a cura. Isso [o câncer] foi falta de descanso, noites ser dormir, comer errado.” 

 

“Ele representava coisas essenciais do ethos das periferias urbanas brasileiras, e era um cara alto astral, que sabia gostar de viver”, escreveu Caetano Veloso sobre o funkeiro, com quem dividiu o palco para cantar “Vaca Profana”, em uma rede social.

 

Fonte: Folha de S.Paulo

 


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